OS DESAFIOS DA SAÚDE DO HOMEM NA UNIDADE DE ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE DO IMIGRANTE, GUABIRUBA – SC EM 2022

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202503310935


Geogenes Raimundo Santos¹
Diego Alexander Gómez Ceballos²


RESUMO

Introdução: O estudo aborda os desafios enfrentados pelos homens na busca de cuidados na Unidade Básica de Saúde de Imigrantes em Guabiruba-SC, com foco na adesão às práticas preventivas e na relação entre masculinidades e saúde. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), implementada no Brasil em 2009, representa um marco significativo na promoção da saúde masculina dentro do contexto da saúde pública. Com o objetivo de reduzir os índices de morbidade e mortalidade entre os homens, a PNAISH busca promover uma assistência abrangente que englobe prevenção, tratamento e recuperação. Apesar dos avanços promovidos pela PNAISH, a adesão masculina aos cuidados de saúde ainda enfrenta desafios substanciais, muitas vezes devido à influência da cultura machista. Este paradigma cultural tende a associar masculinidade à força e invulnerabilidade, desencorajando muitos homens de procurarem assistência médica por considerarem isso uma demonstração de fraqueza. O objetivo geral foi identificar as causas da resistência masculina em procurar os serviços de saúde e compreender as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de enfermagem no atendimento a essa população. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e transversal, com dados coletados por meio de questionários aplicados a 82 homens, analisando hábitos de vida, frequência de consultas e barreiras enfrentadas. Resultados: Os resultados revelaram que fatores culturais, como o machismo, e logísticos, como os horários de funcionamento das unidades de saúde, são os principais entraves para a adesão masculina aos cuidados preventivos. A cultura machista profundamente enraizada na sociedade associa a masculinidade à força, independência e invulnerabilidade, fazendo com que muitos homens evitem buscar atendimento médico por considerarem isso um sinal de fraqueza. Dados de 2015 indicam que 60% das mortes no Brasil ocorreram entre homens, sendo as principais causas os acidentes de trânsito, seguidos por neoplasias malignas e agressões violentas. Entre 2006 e 2011, os fatores de risco mais comuns entre homens foram obesidade, aumento de peso e diabetes, muitos dos quais são amplamente associados a um estilo de vida sedentário e à alimentação inadequada. Além disso, os dados mais recentes apontam que os homens brasileiros vivem em média 7,4 anos a menos do que as mulheres, com expectativa de vida de 71,3 anos para homens em comparação aos 78,7 anos para mulheres. Essa discrepância é agravada pela baixa adesão dos homens a práticas de saúde preventiva, como a prática regular de atividades físicas, com 62% dos homens não se exercitando regularmente, e o elevado consumo de álcool e cigarro, que afeta 64% e 24% dos homens, respectivamente. Conclusão: Conclui-se que é crucial implementar estratégias específicas para sensibilizar e engajar os homens nos cuidados de saúde preventiva, promover uma mudança na cultura de saúde masculina e adaptar os serviços de saúde para melhor acolher essa população. Isso inclui não apenas a adaptação dos horários de atendimento, mas também a capacitação das equipes de saúde para oferecer um acolhimento mais eficaz e sensível às necessidades dos homens, contribuindo para a redução das disparidades de saúde entre os gêneros.

Palavras-chave: Saúde pública; Atenção primária à saúde; Comportamento masculino; Prevenção de doenças crônicas; Guabiruba, Santa Catarina.

1 INTRODUÇÃO

A saúde masculina tem ganhado cada vez mais destaque no campo da saúde pública, especialmente após a criação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) em 2009, instituída pela Portaria nº 1.944/GM, de 27 de agosto de 2009. O objetivo da PNAISH é reduzir os indicadores de morbidade, mortalidade e agravos à saúde dos homens, promovendo uma assistência abrangente que inclui prevenção, tratamento e recuperação (1). A política visa não apenas melhorar o acesso dos homens aos serviços de saúde, mas também combater os fatores culturais e sociais que dificultam o autocuidado, especialmente no que diz respeito à saúde preventiva (2).

A PNAISH foi implementada gradualmente nos estados brasileiros, com foco em cinco eixos temáticos: Acesso e Acolhimento; Saúde Sexual e Reprodutiva, incluindo a infertilidade; Paternidade Responsável; Prevenção e Controle de Doenças Prevalentes na População Masculina; e Prevenção de Violências, com a desconstrução do papel de agressor atribuído ao homem, visando uma abordagem preventiva e educativa sobre suas causas (2). Esses eixos são fundamentais para promover uma mudança no comportamento masculino em relação à saúde, oferecendo cuidados integrais e específicos.

No entanto, a adesão dos homens aos cuidados de saúde continua sendo um desafio. A cultura machista, enraizada na sociedade, muitas vezes associa a masculinidade à força, independência e invulnerabilidade, o que faz com que muitos homens evitem buscar atendimento médico, por considerarem isso uma demonstração de fraqueza (3). Esse comportamento é refletido em dados epidemiológicos que mostram que os homens têm uma expectativa de vida inferior à das mulheres e são mais propensos a desenvolver doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e doenças coronarianas (5). Segundo dados de 2015, 60% das mortes no Brasil ocorreram entre homens, sendo as principais causas os acidentes de trânsito, seguidos pelas neoplasias malignas e agressões violentas (4). Entre 2006 e 2011, os fatores de risco mais comuns entre homens foram obesidade, aumento de peso e diabetes, todos amplamente associados ao estilo de vida sedentário e à alimentação inadequada (4).

Além disso, os dados mais recentes apontam que os homens brasileiros vivem em média 7,4 anos a menos que as mulheres, com expectativa de vida de 71,3 anos para homens, em comparação aos 78,7 anos para mulheres (5). Isso é agravado pela baixa adesão dos homens a práticas de saúde preventiva, como a prática regular de atividade física, com 62% dos homens não praticando exercícios regularmente, e o alto consumo de álcool e cigarro, que afeta 64% e 24% dos homens, respectivamente. A PNAISH tem como meta incentivar pelo menos 2,5 milhões de homens, entre 20 e 59 anos, a procurar os serviços de saúde pelo menos uma vez ao ano, já que essa faixa etária é a mais afetada por doenças crônicas e agravos (6).

Os principais obstáculos ao acesso à saúde por parte dos homens incluem falta de tempo, especialmente devido às obrigações profissionais, resistência cultural e falta de acolhimento nas unidades de saúde (7). De acordo com os dados desta pesquisa, 93% dos homens apontaram o horário de trabalho como o maior impedimento para frequentar as unidades de saúde, o que demonstra a necessidade de adaptar os horários de atendimento para atender melhor essa população. Além disso, 70% dos homens só procuram atendimento médico quando estão com dor muito forte, o que reforça a visão reativa sobre saúde, ao invés de uma abordagem preventiva (4).

Para investigar essas questões, foi realizada uma pesquisa quantitativa, descritiva e transversal, baseada na aplicação de questionários estruturados a 82 homens que frequentaram a Unidade Básica de Saúde de Imigrantes, em Guabiruba, SC. O questionário continha perguntas sobre hábitos de vida, como alimentação, prática de atividades físicas, uso de álcool e cigarro, bem como questões sobre a frequência de visitas à unidade de saúde e as barreiras enfrentadas para acessar os serviços. Os dados foram analisados estatisticamente, com o objetivo de identificar as principais causas da resistência ao cuidado preventivo e traçar o perfil dos homens que buscam atendimento nas unidades de atenção básica.

O objetivo deste estudo é identificar as causas da resistência no cuidado da saúde pelos homens, analisar o perfil de homens que buscam atendimento na atenção básica de saúde em Imigrantes, além de compreender as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de enfermagem que prestam assistência a essa população.

2 MARCO TEÓRICO

O referencial teórico deste estudo será desenvolvido a partir de uma análise crítica e fundamentada nas principais teorias e políticas relacionadas à saúde do homem, com ênfase no contexto da Atenção Básica à Saúde. Serão abordados temas como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), o perfil do homem no sistema de saúde, sua ausência nos serviços de atenção básica, bem como os fatores culturais e sociais que influenciam essa lacuna. Além disso, serão exploradas as questões de saúde masculina em relação a hábitos, doenças crônicas, saúde mental, cuidados preventivos e o papel dos profissionais de enfermagem na promoção da saúde do homem.

2.1 Política nacional de atenção integral da saúde do homem

A Política nacional de atenção integral da saúde do homem (PNAISH) foi instituída pela Portaria 1 944 em 2009, em conjunto com principalmente pela Sociedade Brasileira de Urologia. Parte dos princípios e diretrizes da PNAISH é baseada em dados epidemiológicos e em fatores de risco associados aos indicadores de morbimortalidade, em especial a neoplasia de próstata (15).

Conforme estudos, a prevalência de homens está na faixa etária dos 20 aos 59 anos para internação hospitalar e risco de óbitos devido a causas externas, principalmente homicídios, indicadores que não constituíram a pauta elementar (15).

A Atenção Primária baseada no PNAISH é reconhecida como um programa estratégico para consolidação das ações em Saúde do Homem. Sendo assim, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) vêm sendo consideradas como importantes dispositivos para consolidação da nova política e espaço no qual o vínculo dos homens com as equipes de saúde pode ser estabelecido e o cuidado concretizado (16).

Ainda com esse espaço implantação da PNAISH para o cuidado espacial da saúde masculina, são encontrados aspectos organizacionais (sobrecarga de trabalho, horário de funcionamento, despreparo das equipes, dentre outros), para comparecer a rede primária de saúde (16).

Em um estudo desenvolvido por Martins e Moderna (10), observou-se que 81,6% de UBS da região de Belo Horizonte do estado de Minas Gerais realizavam atividades voltadas especificamente para as mulheres, e apenas 16,3% das práticas eram direcionadas aos homens. A necessidade de capacitação para atendimento ao público masculino foi o principal motivo para ausência na rede de atenção primária. Seguidos de falta de tempo (18,2%), carência de pessoal (11,8%), falta de espaço físico apropriado (11,8%) e ausência de recursos tecnológicos (10,0%). Destacou-se nos resultados obtidos pelo estudo que (90%) afirmaram não perceber a necessidade e/ou demanda de ações específicas para o público masculino (10).

Fatores mais comuns de morbidade entre as mulheres são a obesidade, o stress, o descontentamento consigo mesmo e com o parceiro e a sobrecarga social entre trabalho e maternidade. Já nos homens nota-se a ocorrência de morbidades em tabagismo, etilismo e acidentes laborais ou em trânsito (17).

A procura pelo atendimento secundário de saúde, estudos demonstram que os homens procuram mais os serviços como UPAS e atendimentos especializados em estado mais avançado da doença do que as mulheres, que frequentam mais os serviços primários ambulatoriais (17).

A resistência masculina a atenção à saúde aumenta a sobrecarga financeira da sociedade, uma vez que estes homens acometidos pelo câncer se encontram em plena fase produtiva, bem como, e, sobretudo, o sofrimento físico e emocional deles próprios e de suas famílias (17).

No que se refere a tempo e horários semelhantes entre trabalho e serviços a saúde, a condição de provedor do homem cometam que isso impede a marcação de consultas, pois geralmente o atendimento possui uma grande demanda, fazendo que o dia laboral seja perdido (18).

Há uma dificuldade de adesão para que os homens participem ativamente nos cuidados pela própria saúde, visto que a maioria pretende transparecer a figura provedora e heroica do provedor familiar (18).

Em âmbito social, a baixa escolaridade prevalece a menos favorecida economicamente, mostra ser relevante fator que contribui para uma pior percepção da saúde. Geralmente esses homens trabalham em serviços braçais, que demanda grande força física e exaustiva rotina trabalhista. A baixa escolaridade se reitera com falta de informações corretas (18).

A Estratégia Saúde da Família (ESF) consolida como uma das principais pioneiras no Brasil na organização da Atenção Primária a Saúde (APS), ampliando e favorecendo os cuidados com uso de ações nos processos de saúde em comunidade e no individual. Sendo assim, com atendimento integral, o enfermeiro possui relevante participação no atendimento aos homens, aumentando a qualidade de vida dessa parcela masculina, promovendo ações preventivas, e de reabilitação (18).

Diante desses fatos, cada vez mais há um enfoque da relevância de estratégias utilizadas por enfermeiras (os) para melhorar a saúde do homem a partir dos princípios regulamentares da PNAISH, visando diminuir a ausência da população masculina nas unidades primárias de saúde (2).

A interação com o público masculino em específico facilita a entrada precoce no que se refere ao processo saúde-doença para a busca pelo atendimento à saúde, evitando acontecer mediante o aparecimento de algum sintoma e não de forma preventiva. O corpo multidisciplinar também contribui com a socialização e a adoção de hábitos de vida mais saudáveis pois em grande parte relataram apreciar uma alimentação rica em gorduras, consumo de álcool regular e tabagismo (19).

Há uma demanda maior nos atendimentos infantis e para idosos, notando-se uma ausência de acolhimento do público masculino devido a frágil qualificação profissional. Nesse contexto, é necessário estratégias que ampliem a oferta de ações e sensibilize esse público-alvo (20).

2.2 Perfil do homem na atenção básica da saúde

A Atenção Primária a Saúde (APS) é a porta de entrada, sistema base e de classificação níveis de atenção à saúde. Realiza os primeiros atendimentos, aqueles de rotina e comuns na população local oferecendo campanhas de vacinação, cuidados e prevenção de doenças, promovendo campanhas de nutrição e atividades físicas em locais apropriados para a manutenção e melhoria da saúde (24).

Diante a rotina de atendimento dessas unidades, é observado maior fluxo da população feminina, tornando então um desafio para os profissionais da saúde trazer a população masculina para prevenção e acompanhamento médico, já que este público possui histórico de somente comparecer as unidades de saúde em caráter emergencial, provocando alta morbimortalidade (24).

Os homens quando são vistos na UBS são descritos como um acompanhante pelos profissionais de saúde é frequente nas unidades quando acompanham a esposa, principalmente em período gestacional, ou com filhos e pais idosos ou quando é necessário o agendamento de consultas e exames para outras pessoas. Raramente os homens são descritos como usuário em busca de atendimento para suas próprias necessidades de saúde (25).

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou em 2018 que 5,94% da população brasileira, são de homens idosos, e isso aumenta os casos de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) dentre elas a Hipertensão Arterial Sistêmica, diabetes melittus e aterosclerose (25).

Destaca-se que a maior parcela da população masculina que procura atendimento nas UBS (unidade básica de atendimento) possui acima de 40 anos. Diante este fato é relevante as promoções e acolhimento por meio de trabalho das equipes multiprofissionais desde a juventude, iniciada na Atenção Primária à Saúde (APS) como a Estratégia Saúde da Família (ESF) (24).

Quanto ao estado civil, escolaridade e renda, uma pesquisa realizada em MG, com 527 homens, identificou predominância de casados, com baixo nível de escolaridade, e renda mensal baixa nos atendimentos as unidades básicas de saúde (24).

2.3 Ausência do homem na rede de atenção básica a saúde

Em 2004 em específico nos estados unidos ocorreu uma discussão internacional sobre a criação de uma área de saúde especialmente à homens que também contou com a contribuição de Associação Internacional de Saúde do Homem e de Gênero. No Brasil isso ocorreu já na década de 1990, discutindo melhorais no âmbito sobre as masculinidades e as violências (8).

Porém nessa mesma data até meados de 200 no Brasil, ocorreram 1.118.651 mortes por causas externas, como acidentes e violência, das quais 926.616 ou 82,8% eram homens. Resultando em número cinco vezes maior do que a taxa média observada em mulheres, sendo (24/100.000 habitantes) de 119,6/100.000 habitantes. As principais causas desses óbitos são externas, envolvendo violência com homicídios e acidentes de transportes (9).

A população mundial, em especial a nacional apresenta uma expectativa de vida inferior às mulheres, sendo identificados padrões de morbimortalidade mais frequentes em homens jovens, negros e pobres. Seguido de altas taxas de morbimortalidade relacionadas a enfermidades dos aparelhos digestivo, circulatório e respiratório e, às neoplasias (10).

Em contrapartida, existe uma incapacidade de captar homens pelos serviços de atenção à saúde, principalmente nas unidades básicas de saúde da atenção primária. Geralmente o acesso dos homens às ações desenvolvidas no sistema de saúde é de caráter emergencial e hospitalar de média e alta complexidade, configurando entrada a acessos secundários e terciários. Isso reflete a um prejuízo do previsto pelo governo federal, como a entrada pelo nível básico de cuidado contribuindo com o aumento da morbimortalidade masculina (11).

Outros motivos que acercam a dificuldade de manter uma relação do homem ao sistema básico de saúde, são os estereótipos de gênero, que menciona de forma errônea a definição de “homem de verdade”, fazendo com que se enraíze um pensamento que “homem não chora” e “não sente dor”. Assim como o cuidado consigo mesmo e a todos ao redor é socialmente reconhecido como um atributo feminino (11).

Devido a valores culturais, há tempos a sociedade é consolidada em patriarcalismo que centraliza o homem com valores de superioridade, força, virilidade e sustento da casa, já as mulheres com valores culturais de sensibilidade e delicadeza sendo atribuído o cuidado materno e afetivo do lar (12).

Vários obstáculos justificam a ausência do homem nas Unidades Básicas de Atendimento (UBS) como os reduzidos horários de funcionamento, uma vez que as UBS funcionam no mesmo horário da jornada laboral dos trabalhadores formais e muitos não conseguem liberação do serviço, culminando no distanciamento dessa população aos serviços de saúde (12).

A falta de humanização nos serviços, acolhimento deficiente, carência de acesso, comunicação e vínculo, dificuldade na resolutividade na assistência, demora no atendimento, entre outros motivos, são obstáculos que contribuem para a evasão dos usuários no sistema, necessitando identificar e refletir sobre as estratégias de enfrentamento que prejudicam a efetividade do homem nos serviços de saúde (13).

Os homens geralmente reclamam da falta de tempo para atividades físicas, devido ao horário de deslocamento e trabalho, alegando estarem muito cansados para a prática de atividades físicas periodicamente. Embora a população masculina é considerada mais ativa quando comparados a população feminina, pois a preocupação com o corpo moldado e musculoso iniciam na adolescência, fato que ocorre muitas vezes o uso abusivo de esteroides e anabolizantes sem prescrição médica ou nutracêutica (14).

Para manter uma qualidade de vida, deve-se dar preferência por hábitos saudáveis e pratica de atividade física com exercícios regulares e planejados, com acompanhamento do profissional (14).

2.3.1 A construção das masculinidades no campo da saúde pública

Alguns estudos presentes na literatura relacionam masculinidade com a saúde e o adoecimento, enfatizando associações à em valores machistas. É evidente que homens apresentam maior envolvimento com violências e acidentes sobrecarregando os serviços emergenciais, diferentemente das mulheres, que se preocupam com a prevenção e suportam dores facilmente com mais resistência, procurando os serviços de saúde, somente quando realmente é preciso, se sentindo fragilizada (21).

Estudos sobre as masculinidades no âmbito das políticas públicas na América Latina, geralmente preconiza a rede de atenção na criança e na mãe-mulher. Essa divisão de cuidado e maternidade, distancia muitas vezes o acolhimento dos homens nessas unidades, pois um fenômeno natural relacionado ao feminino, decreta um roteiro diferenciado para homens e mulheres (21).

O combate a doenças sexualmente transmissíveis e ao uso do álcool e a outras doenças diretamente relacionadas a promiscuidade e vagabundagem, por exemplo, foi foco da Liga Brasileira de Higiene Mental, que teve clara intenção de reformar a sociedade, impondo normas de comportamento em 1923. Nesta época ainda mão existia o Sistema Único de Saúde (SUS), somente os trabalhadores formais (21).

Em 2012 o Mapa da Violência apresentou em 2011 no Brasil: 91% de homicídios masculinos e homicídios femininos, sendo mais frequente a criminalização e morte da juventude negra e pobre. Nas cadeias, há predominância de homens com idade de 18 a 24 anos, com ensino fundamental incompleto (20).

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou o relatório Masculinidades y salud en la Región de las Américas que aponta que geralmente doenças e mortes entre homens são comuns originam-se de condutas machistas. Também observou que comportamentos associados a uma masculinidade dominante se tornam problemas de saúde pública como a admissão de comportamentos de risco, a dificuldade de expressar emoções, a violência, a falta de cuidado de si (22).

O uso popular do termo ‘masculinidade tóxica’ é uma definição rígida de um conjunto de comportamentos individuais e/ou coletivas relacionadas à masculinidade como um ideal cultural através de violência física. Em termos de saúde, isso reflete no suposto comportamento de resistência à dor, e a saúde mental, ditando ser coisa de mulher. Geralmente, esses homens estão vinculados a uma sociedade ou uma comunidade que são contra o feminismo, buscam sempre dominar em sua posição familiar e a realizar atos heterossexuais percebidos (22).

A OMS revela 3 prejuízos à masculinidade tóxica que causam as principais causas de morte dos homens, sendo violência interpessoal, traumatismos no trânsito e cirrose hepática (23).

Essa referência da masculinidade ficou mais evidente no Brasil nos últimos anos pelo fator da baixa procura por atendimento em redes de atenção primária para atendimento de diagnóstico do SARS COVID 19 levando a número expressivo de óbitos, internações hospitalares e complicações graves causadas pela Covid-19 na população masculina (23).

2.3.2 Hábitos e saúde do homem

A adoção de hábitos saudáveis como atividades físicas e alimentação equilibrada evitando o consumo de alimentos ricos em gordura e/ou sal, combate ao sedentarismo, etilismo e tabagismo podem contribuir para um envelhecimento saudável e expectativa de vida maior. Já o uso de alimentos ricos em gorduras, como frituras e carboidratos, contribui com obesidade, câncer e, indiretamente, para outros problemas como a depressão e o desajuste social e econômico (26).

Estudos apontam que os homens além de mais sedentários que as mulheres, iniciam mais jovens o consumo de álcool facilitando o vício etilismo. Como costumam não valorizar ou admitir esses maus hábitos, as consequências e prejuízos são maiores em relacionados à saúde, sendo necessário um auxílio e acolhimento estratégico para que promova a entrada dos homens a esses serviços (27).

Em um estudo realizado por Santiago et al. (12) demonstrou através de entrevistas em uma Unidade Básica de saúde (UBS) com 260 homens de 20 a 59 anos que 64% dos homens consomem ou já consumiram bebidas alcoólicas. Em relação ao consumo do tabaco, apontou que a maior parte dos homens entrevistados não faziam uso do tabaco. Quanto à prática de atividade física, observou-se não ser um hábito frequente entre os participantes da pesquisa. Os homens neste estudo associaram os cuidados com a saúde ao universo feminino, pois eles acreditam que mulheres são mais susceptíveis a dor e são “fracas” (28).

Uma pesquisa com 235 homens entre 18 a 94 anos apontou que 60% não praticavam atividade física, 54,9% faziam uso de tabagismo e 47,2% de etilismo. Quanto aos hábitos alimentares, 89,8% relataram consumir frutas e verduras, 100% consomem proteínas, 98,3% carboidratos e 80,4% consomem refrigerantes e doces. Em patologias com predisposição genética, aqueles de infarto agudo do miocárdio (IAM), 21,7% apresentaram casos na família, de câncer 40% com casos em familiares e de diabetes mellitus 40,4%, sendo a maior predisposição genética o de hipertensão arterial, com 58,3% (29).

Esses dados corroboram com os dados encontrados por Carvalho et al. (29) onde foi observado que a hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença multifatorial, de alta prevalência na população brasileira e mundial com 32,5% na população adulta. Desses dados encontra-se ainda 54% de casos em homens. Os autores perceberam que 77% dos pacientes eram sedentários e que 44% dos homens apresentavam dislipidemia demonstrando como o fator de risco maior em aqueles que faziam uso do álcool e do tabaco.

Nas unidades de saúde, a procura que possui maior demanda é de problemas urogenital incluindo os problemas da próstata, a disfunção erétil, os agravos do pênis, as infecções geniturinárias, os cálculos nas vias urinárias e as doenças dos testículos, sobrecarregando o sistema financeiro federal (30).

Dos agravos urológicos mais frequentes 12 tipos de agravos foram identificados sendo os mais frequentes: câncer de próstata (78,8%/126) e hiperplasia prostática (6,3%/10) na Bahia em 2016, em uma análise de 160 prontuários médicos do setor de urologia e Nefrologia (30).

Conforme a análise de vários perfis masculinos observou-se que trabalhadores rurais são ainda mais ausentes nas redes de atenção primária. A população do campo já possui uma dificuldade em comparecer nas redes de atendimento a saúde, principalmente se as unidades se encontrem localizadas em distância muito grande de suas residências, sobrecarga de trabalho e cultura de uso de remédios com chás de plantas. Outras questões de baixa escolaridade, e dificuldades de transporte continuam contribuindo ainda mais para a ausência e discriminação dessa população pelos serviços de saúde (31).

Um estudo realizado em Minas Gerais com homens entre 18 a 60 anos, que desempenhavam o trabalho rural como principal atividade e que estivessem cadastrados na equipe de APS da comunidade rural em 2016, foi realizado 41 entrevistas pelos agentes comunitários do local. Nas entrevistas, todos declararam de segunda a sábado, de 07h às 17h, com pausa de uma a duas horas para o almoço com rendimento mensal em torno de um salário mínimo (31).

Do total de entrevistados, cinco estavam apenas cadastrados nas fichas dos agentes comunitários de saúde, não possuindo prontuário aberto ou consulta médica registrada. Na análise dos prontuários evidenciou os cinco principais motivos de consulta: hipertensão arterial, dores lombares, infecções respiratórias agudas, parasitoses intestinais e acidentes com animais peçonhentos. Desses prontuários, 8 havia prescrição de medicamentos antibióticos e antiflamatórios, assim como pedidos de exames de imagem e exames de alta complexidade (31).

Os internamentos hospitalares mais comuns são causados por doenças do aparelho respiratório, seguido por doenças cardíacas, infecções e lesões. Outros fatores de internação de homens é o câncer de próstata seguido da AIDS que também tem elevadas incidências (14).

Sobre as disfunções sexuais são prevalentes a ejaculação precoce e a disfunção erétil, sendo comum em independentes fases da vida, podendo apresentar resposta rápida ou tardia ao estimulo sexual podendo ou não causar dor (14).

A prevenção inicia-se bons hábitos de higienização dos órgãos genitais, evitar promiscuidade, sexo seguro com uso de preservativo, contraceptivos para a parceira, reduzir ou suprimir o uso de bebidas alcoólicas, cigarros, drogas e anabolizantes, praticar atividades físicas regularmente e preservar uma alimentação saudável (23).

A população masculina principalmente os adolescentes e adultos jovens em busca do corpo perfeito preferem associar a prática da musculação com o uso abusivo de esteroides e anabolizantes e sem orientação profissional, isso é transformado em um problema de saúde pública em função da sua ausência de conhecimento sobre os efeitos reais do uso dessas substâncias. É correta a preferência por hábitos saudáveis e pratica de atividade física com exercícios regulares e planejados, e de preferência com acompanhamento do profissional de educação física, pois dessa maneira é proporcionada qualidade de vida (14,23).

Percebe-se que outra necessidade para o cuidado à saúde do homem trabalhador rural encontra-se vinculada diretamente ao exame preventivo do câncer de próstata.

A mudança de acolhimento e de olhar necessita não apenas para homens brancos e urbanos, mas para homens que necessitam de atendimentos com adicionais de acolhimentos socioculturais, como homens de etnia negra, pobres, os mantidos em cadeias públicas, que residem em contextos longe da área geral de coberturas, como moradores rurais, indígenas, quilombolas e de situações de ruas. Assim, com o intuito de mobilizar esforços para a superação dos possíveis entraves no cuidado em saúde e alinhando-se a outros estudos que enfatizam as lacunas na atenção em saúde no meio rural (32)

A diabete mellitus pode estar relacionada a vários fatores, entre eles hereditários, comportamentais e socioeconômicos. A falta de tratamento e o avanço da doença permite que surjam as complicações graves, como cegueira, nefropatia, feridas e amputações (32).

Na diabete tipo 1, ocorre a autoimune das células beta pancreáticas, responsáveis pela produção da insulina. Geralmente inicia-se na infância atingindo cerca de 10% da população de diabéticos. A diabete tipo 2 é a mais comum, atingindo em torno de 90% da população diabética, ocasionada por maus hábitos alimentares e sedentarismo, fazendo que se inicie uma resistência à insulina, e deficiência da produção dela. O tratamento inclui equilíbrio nutricional, prática de atividades físicas, insulinoterapia assim como evitar as possíveis complicações (33).

Os altos níveis de estresse também estão relacionados com os valores de glicemia aumentados, além do aumento das frequências cardíacas e respiratórias. Quando os níveis de stress permanecem consistentes durante um determinado tempo, o indivíduo pode vir a desenvolver um diabetes mellitus tipo 2 , que se inicia já na fase adulta, principalmente devido a uma maior alimentação e facilidade de atividades físicas insuficientes (33).

Os homens parecem estar mais suscetíveis a adquirir a diabete mellitus, que possuem uso de álcool, má alimentação e sedentarismo. A falta de cuidado consigo mesmo, leva muitas vezes, a descobrir a doença em estado avançado (33).

Uma das causas comuns para o aparecimento da diabetes é o stress, principalmente em ambiente de trabalho. Em uma análise realizado na Unidade de Saúde da Família de Poços de Caldas, Minas Gerais, Brasil, observou-se prevalência nos níveis altos de glicemia capilar de jejum nos homens, podendo ser devido ao fato das mulheres se preocuparem mais com a saúde, indo aos serviços de saúde com mais regularidade. Foram observados 16 trabalhadores sendo 12 homens, com idade média de pesquisa 34 anos e 4 mulheres, com idade média de 30 anos (34).

Todos os participantes apresentaram medidas abdominais acima das referências, sendo 54% desses valores apresentados de índice de massa corporal (IMC) indicando sobrepeso/obesidade onde apresentam um acúmulo de gordura abdominal (33).

Conforme a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD, 2006), a farmacoterapia deve ser iniciada quando a glicemia não baixar com dieta e mudança de estilo saudável de vida. A perda de peso (5-10% do peso), com restrição de gorduras, especialmente as saturadas, e aumento de atividade física regular diminuem o uso de farmacoterápicos (34).

Para a equipe de enfermagem é relevante identificar precocemente as complicações que acometem o indivíduo, fazendo rápidas com enfoque no autocuidado, principalmente quando detectado um exame alterado, informando sobre o controle semanal ou diário para intervenção da equipe multidisciplinar. Essa abordagem é importante para evitar as consequências com doenças crônicas e diminuir as complicações dela decorrentes (34).

No município de Cáceres, localizado no estado de Mato Grosso, possui 32 unidades de atendimento ambulatorial. Nessas unidades, são desenvolvidas diversas ações de saúde, acompanhamento de indivíduos portadores de Diabetes Mellitus (DM) e Hipertensão Arterial (HA). Em 2012, 249 óbitos foram registrados do sexo masculinos sendo 58 relacionados a distúrbios circulatórios, e hipertensão e diabete mellitus foram os principais fatores de risco no seu desenvolvimento (35).

Geralmente a procura maior pela unidade de saúde, seja pronto nas UPAS ou UBS ocorre na faixa dos 40 anos, prevalente com acompanhamento médico na faixa dos 65 anos. Observa-se que a necessidade de uma comunicação simples entre enfermagem e paciente, pois a maioria dos indivíduos não são alfabetizados ou possuem pouco grau de instrução (35).

Dentre os indivíduos que mais frequentam o atendimento primário de saúde, 58% exercem algum tipo de atividade de trabalho, motorista, vigilante, professor, funcionário público, trabalhador braçal e militar. Uma grande parcela dessa população presente é aposentada (35).

Em uma investigação realizada com 20 homens na Unidade de Saúde da Família Viver Bem, do município de João Pessoa – Paraíba, através de entrevistas individuais observou que as maiorias dos homens eram de faixa etária de 60 anos. Com relação à escolaridade, os dados apontam que os entrevistados possuem baixo grau de escolaridade e que, na maioria das vezes, não concluíram o ensino fundamental. Outra característica predominante do grupo é que a maioria dos homens são casados com renda familiar média de apenas um salário-mínimo (36).

Com relação ao motivo de procura pelo serviço de saúde, os autores observaram que uma das doenças mais frequentes, foram a hipertensão arterial, doença crônica que requer um acompanhamento contínuo para realização de consultas regulares, exames e despacho de medicamentos (36).

Em Maringá município do Paraná, 56,3% da população masculina utiliza o serviço de atendimento a saúde de rede primária com predominância de homens de 40 a 59 anos, de cor da pele branca, com companheira, filhos, ensino médio completo, que trabalham, possuem renda familiar entre 2,1 e 4 salários-mínimos, são empregadores/autônomos, da classe econômica B e não possuem plano de saúde.

De forma geral, a maioria dos participantes declarou estabelecer maior contato profissional de saúde com o médico, buscar o serviço de saúde por doenças/sintomas/urgências, e perceber a própria saúde de forma positiva. A maioria também referiu possuir alguma morbidade e 32,4% necessitavam/realizavam algum tratamento de saúde. Quanto à satisfação com o serviço de saúde que utiliza 27,2% informaram enfrentar está preparado para o atendimento à saúde do homem, classificava o serviço de saúde como bom ou muito bom, recomendaria o mesmo a outros homens e considerava a resolução do problema o aspecto mais importante em um serviço de saúde (36).

A expansão dos serviços, em especial da estratégia saúde da família, tem possibilitado que mais pessoas utilizem os serviços públicos, embora tenham condições de ter plano de saúde, a procura da população masculina pelos serviços públicos de saúde é geralmente motivada pelas doenças de urgências, devido os homens procrastinarem a ida a UBS mais próxima. Essa necessidade de adentrar na rede de atenção especializada e a instituição de cuidados estritamente curativos aumentando os gastos financeiros para o governo provocando uma instabilidade financeira também familiar (37).

Analisando que ainda temos idosos das décadas de 1910 a 1940, essa faixa etária quando jovens não frequentaram a escola, com isso imagina-se que posteriormente os números de homens aumentem na prevenção a saúde devido acesso as informações. O nível educacional interfere diretamente no desenvolvimento da consciência sanitária, na capacidade de entendimento do tratamento prescrito e na prática do autocuidado, com relevância considerável quando da estruturação de campanhas educativas. Fato este confirmado através do estudo, realizado com 85 idosos, foi possível observar que a maior parte dos idosos possuía escolaridade até o ensino fundamental, seguido por nível superior e analfabeto, 12 entrevistados, 54,5% apresentaram primeiro grau incompleto e 13,6% possuíam curso superior (38).

Oliveira et al., (2015) relataram que que os homens nas faixas etárias mais jovens, são mais vulneráveis a quadros agudos devido principalmente a causas externas que os levam a procurar pelo Unidade de Pronto Atendimento UPA. Esse fato deve-se também que a unidade UPA tem um período de funcionamento de 24 horas, facilitando atendimento após o período de jornada de trabalho (38).

Em questão de uso de medicações, a maioria dos homens adquirem seus medicamentos em Farmácias da Rede Privada devido o maior período de funcionamento destas farmácias, facilidade no atendimento e acesso físico. Poucos utilizam a rede de Farmácia Popular do governo, devido a falta de informações sobre a mesma (38).

2.3.3 O homem e saúde em doenças virais

A Atenção Básica de Saúde caracteriza-se como um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo que abrangem a promoção, proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde (39).

Na contextualização da implantação da Política Nacional de Atenção Integral a Saúde do Homem (PNAISH) é possível ainda observar que geralmente os atendimentos estão no foco restrito a assuntos como sexualidade, reprodução, paternidade e violência, o que resulta em um prejuízo na prevenção de doenças por meio de ações educativas em saúde (39).

Uma pesquisa realizada em 2015 observou que a cada 3 casos de AIDS em homens, somente 1 é mulher. Na pauta da PNAISH foram integrados alguns programas, sendo um deles o Programa Nacional de DST/AIDS/Hepatites Virais, objetivando a prevenção e o controle das doenças sexualmente transmissíveis. Este programa em específico pretende trabalhar com a prevenção diminuindo casos de morbimortalidade, com medidas primárias (39).

A forte dificuldade na abordagem do tema sexualidade, tanto por parte dos profissionais da saúde, que não se sentem preparados para abordar este assunto, como a população masculina, que por sua vez, também demonstram ficar incomodados ao falar da sua sexualidade e do seu próprio desconhecimento sobre doenças ligadas ao sexo (40).

A partir de 2013, foram registrados dados epidemiológicos do município de Sabará em relação as DST/HIV/AIDS/Hepatites virais. Em 2017, o município Sabará registrou 189 pacientes de HIV/AIDS em acompanhamento, dos quais 63% são do sexo masculino e 37% do sexo feminino, percebendo-se que o público masculino é mais acometido pela doença em conformidade com os dados nacionais e estaduais, o que confirma que os homens são os mais afetados (40).

Após essas informações, foi implantado um projeto cuidados desses pacientes na saúde masculina, com acompanhamento semestral com o devido suporte dos profissionais por meio de encontros e relatos dos profissionais envolvidos onde os resultados foram positivos na maior procura dos homens às UBS garantindo ações para um melhor acompanhamento com uso correto de medicamentos e um trabalho mais detalhado da equipe multiprofissional (40).

Os idosos também fazem parte da população acometida principalmente pelas DST/ Aids, sendo um dos desafios para um atendimento qualificado na prevenção e na continuidade do tratamento. Os profissionais capacitados para trabalhar com esses pacientes geralmente são raros. Os enfermeiros, possuem um papel de atuação na implementação de políticas públicas, na prevenção como a evitar possíveis complicações da saúde visando uma melhoria na qualidade de vida. O que faz com que a educação profissional voltada a essa população seja sempre abordada padronizando uma linguagem de acesso a esses pacientes (41).

Em rede primária de saúde, em Campinas foi observado que a maioria dos idosos não fazem uso do preservativo em suas relações, também foi identificado que os idosos estão cientes do método preventivo da Aids, conforme preconiza as campanhas atuais do governo específicas para o uso dos preservativos; porém, as campanhas ainda precisam provocar uma mudança na atitude dos idosos frente à doença (41).

Os programas voltados para os idosos possuem atividades planejadas criando oportunidades de lazer, atividades culturais e desportivas, deixando de lado assuntos referentes a prevenção de infecções sexuais transmissíveis. São elaboradas rodas de conversas, palestras, oficinas e atendimento individual. Os idosos possuem fundamental importância para compreender sua sexualidade e os meios de proteção para práticas sexuais seguras (42).

De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/AIDS de 2018, a população masculina representa 65,5% dos casos de aids registrados de 1980 a junho de 2018, enquanto verifica-se um declínio de 30% nos últimos 10 anos nas taxas de detecção entre mulheres. Abordando gêneros sexuais, os homens heterossexuais representam 49% dos casos, os homossexuais 38% e os bissexuais 9,1%. Na Região Sul, no ano de 2018, entre os homens com mais de 13 anos vivendo com HIV/aids, observa-se o predomínio da exposição pela via de relação heterossexual, correspondendo a 58,4% dos casos; já a via homossexual corresponde a 31,5% e a bissexual 6,5% (42).

Mesmo com a possibilidade de acionar a doença como incapacitante, o trabalho se mantém como um valor relacionado à masculinidade. No caso dos homens heterossexuais vivendo com HIV/aids, o trabalho representa uma das estratégias para o enfrentamento dos estigmas associados à aids, semelhante à manutenção da atividade reprodutiva no caso feminino. Possibilita a manutenção do status de provedor, com alto poder cultural, desvinculando a doença do seu caráter (42).

A maioria dos homens descobrem de seu diagnóstico HIV/aids por meio de alguma outra doença ou sintoma que procurando os serviços de saúde devido como dores no peito ou ardência na pele, ou ainda, doenças oportunistas, como pneumonia e tuberculose, acabam por ser diagnosticados. Nessas duas situações o diagnóstico é realizado em um momento mais avançado da infecção pelo HIV (42).

A maior parte desses homens realizou o teste após uma situação identificada como de risco para o HIV, como sexo sem preservativo ou ainda a suspeita de infeção pelo HIV de alguma parceira (42).

É relevante que os profissionais da saúde realizem um aconselhamento após o diagnóstico, com o objetivo de incentivar a aceitação ao tratamento. Sabendo que o tratamento é de extrema importância para a melhoria da qualidade de vida do paciente (43).

2.3.4 Saúde mental do Homem

A relação saúde mental em homens na visão da OMS emergiu como uma prioridade de saúde pública nos últimos anos. Os homens representam mais de 75% das taxas de suicídio na América do Norte, devido serem mais propensos que as mulheres a usar todos os tipos de drogas ilícitas, aumentando a probabilidade de casos de emergenciais e mortes por overdose (50).

O suicídio está entre as três principais causas de morte de pessoas de 15 a 44 anos diferindo por país, heterogeneidade de fatores culturais, sociais, econômicos e ambientais. A etiologia do suicídio é heterogênea, demonstrando que não são somente através de transtornos psiquiátricos que ocorrem, mas também os transtornos por uso de substâncias, como os transtornos por uso de cocaína e álcool, estão entre os preditores mais significativos de suicídio (50).

No Brasil, o uso de crack e o comportamento suicida são problemas de saúde pública, pois há um aumento das taxas de tentativas de suicídio e óbitos na população geral. Em usuários de crack essas taxas foram significativamente maiores, 40,0 no sexo masculino e 20,8% no sexo feminino respectivamente (51).

As pesquisas psiquiátricas demonstram que os homens possuem uma prevalência menor do que as mulheres de transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão devido aos homens tendem a embotar o relato de possíveis sintomas de transtornos de humor, talvez porque tais sintomas sejam inconsistentes com as noções dominantes de masculinidade (51).

Estaticamente, os usuários masculinos de crack estão relacionados à gravidade da toxicodependência e ao baixo suporte sociofamiliar. Nestes casos relacionados à gravidade, os medicamentos poderiam atuar como moderadores para diminuir os casos de suicídios. O fator mais influente para os homens foi a relação com álcool e tabagismo (51).

Alguns estudos sugerem que existe uma “síndrome depressiva masculina”, ou seja, mascarada pela masculinidade, distinta e não reconhecida se comparados a dados que sugerem que as mulheres tendem a “agir” diante do sofrimento psicossocial, enquanto os homens “atuam”. Esse disfarce de que nada está indo mal, geralmente envolve etilismo e drogas, riscos perigosos, falta de controle dos impulsos e aumento da raiva e irritabilidade. Novamente, esses comportamentos são mais consistentes com as noções dominantes de masculinidade em comparação com chorar ou falar. Alguns afirmaram que esses comportamentos são “equivalentes depressivos”, mascarando uma tristeza subjacente, solidão e alienação que atinge níveis patológicos nos homens aflitos (52).

Estudos revelam que o suicídio e depressão em homens indicam vários fatores sendo um dos mais comuns, o emprego e questões ocupacionais. O desemprego pode ser um estressor crônico, enquanto ficar desempregado ou redundante pode ser um estressor agudo (52).

Numerosos estudos descobriram que o desemprego tem um impacto maior na saúde mental dos homens em comparação com as mulheres. Essas tendências na saúde mental dos homens provavelmente estão ligadas a forças macro socioeconômica (53).

As últimas décadas testemunharam uma profunda reestruturação das economias ocidentais com a transição de uma economia manufatureira para uma economia baseada em serviços. Isso levou a um declínio nas indústrias orientadas para os homens com o fechamento de fábricas, minas, moinhos e outras indústrias manuais que muitas vezes deram aos homens (especialmente homens rurais menos instruídos) um emprego para a vida e um lugar significativo em suas comunidades locais. 39 De fato, pesquisas sugerem que as maiores taxas de suicídio masculino no Canadá estão em áreas rurais de alto desemprego (53).

A família é outro domínio da vida pelo qual os homens obtêm propósito e significado significativos na vida. Evidências sugerem que o divórcio e o rompimento de relações são fortes fatores de risco para doenças mentais e suicídio (54).

Estudos revelam que experiências infantis podem levar a consequências psicológicas e físicas a curto e longo prazo para homens e mulheres. O abuso infantil é comum entre meninos e meninas; no entanto, alguns tipos de abuso são mais prevalentes em meninos do que em meninas (e vice-versa). Enquanto o abuso sexual tende a ser mais prevalente em meninas, o abuso físico tende a ser maior em meninos (55).

Os homens vivenciam a depressão de maneira específica, com sintomas diferentes, de modo que normalmente enfatizam sintomas internalizantes como tristeza e preocupação que não são válidos em uma população masculina baseando no conceito de ‘síndrome depressiva masculina’, onde os sintomas externalizantes (por exemplo, raiva, abuso de álcool, tomada de risco) são considerados indicativos de depressão masculina, mas não reconhecidos como tal (56).

O etilismo possui grande impacto negativo sobre a saúde mental dos homens o fazendo lidar com sofrimento psíquico, resultando em impacto significativo na saúde mental e dependência, sendo comum em homens. Os homens são 2 a 3 vezes mais propensos do que as mulheres a ter um problema sério de uso de álcool. Em um estudo de 2012 sobre saúde mental e transtornos por uso de substâncias no Canadá, descobriu-se que homens tiveram taxas mais altas de transtornos por uso de substâncias em 1 ano, sendo 6,4% dos homens e 2,5% das mulheres relataram sintomas consistentes com transtorno por uso de substâncias (56).

O uso de álcool é um fator de risco para vários distúrbios graves e fontes de mortalidade. Como se poderia esperar de sua taxa relativamente alta de uso, os homens sofrem desproporcionalmente com os impactos do álcool na saúde: dados de 2004 mostram que a taxa de mortes globais atribuíveis ao uso de álcool é quase 6 vezes maior para homens (6,3%) do que para mulheres (1,1%). Vale destacar que a dependência do álcool é um forte contribuinte para a tendência suicida, sugerindo uma explicação parcial para a associação entre sexo masculino e mortalidade por suicídio (57).

2.3.5 Saúde do homem na preconcepção

Especialistas recomendam que a saúde sexual preconcepção e a função sexual sejam incluídas como parte dos exames de saúde ao longo de toda a vida dos pacientes e que a rede de atenção primária de saúde estejam bem posicionada para fazer isso (60).

As agências de atenção primária à saúde neste cenário têm a oportunidade de explorar a saúde pré-concepcional e o estilo de vida dos homens, especialmente quando os casais se apresentam para aconselhamento de primeira gravidez, concepção ou avaliação pré-natal, ou quando um homem frequenta um médico de família ou uma clínica de fertilidade por dificuldades sexuais. A saúde sexual é uma característica geral da saúde pré-concepcional, mesmo quando uma dificuldade sexual deve ser tratada separadamente (61).

É possível que coisas não tão simples como parar de fumar, moderar o consumo de álcool e fazer exercícios possam ser alteradas, mas elas exigirão comprometimento com o preconceito masculino (se for considerado problemático) e envolvimento com um profissional para mudar comportamentos de estilo de vida, pelo menos no começando, em um nível de atenção primária à saúde. A evidência está claramente aí e trata-se realmente, pelo menos inicialmente, de chamar a atenção dos homens para a necessidade de mudar e convencê-los a melhorar a saúde pré-concepcional (61).

Se os homens são informados de que o tabagismo paterno e outros comportamentos adversos relacionados à saúde, por exemplo, têm o potencial de alterar o DNA do esperma e impactar diretamente na saúde e bem-estar da prole (por exemplo, câncer infantil na prole de fumantes do sexo masculino), talvez isso forneça a motivação para ver as perspectivas de fecundidade de forma diferente. Apelar para o bem maior parece ter mais poder de persuasão, mas a mudança deve primeiro começar individualmente (60).

Apesar da falta de atenção dada à questão da saúde pré-concepcional masculina e atenção primária à saúde na literatura, há evidências de que muitos homens estão cientes da importância de sua própria saúde antes da concepção e que receberiam conselhos e informações sobre a preconcepção cuidados de saúde do seu médico de família se foram oferecidos e se comparecem para no entanto, recomendam que a conscientização nem sempre se traduz em conhecimento de questões críticas e fatores de risco, propondo que os profissionais de saúde podem não estar discutindo saúde pré-concepcional durante as consultas de rotina (61).

O envolvimento paterno também demonstrou aumentar as taxas de assistência pré-natal e reduzir o consumo materno de álcool, e as mães que eram casadas ou em união estável foram identificadas como menos propensas a fumar, usar drogas, ou ter filhos com baixo peso ao nascer. Claramente, fornecer informações e ideias sobre preconceito masculino sobre como melhorar a saúde e, posteriormente, os resultados da fertilidade, tem benefícios potenciais para a saúde masculina em geral, especialmente no contexto de ser um indivíduo fisicamente e emocionalmente saudável, um ótimo pai e um forte parceiro de relacionamento. O importante papel dos pais foi ainda destacado para encorajar os homens a se envolverem ativamente na vida de seus filhos, particularmente no período pré-natal e nos primeiros anos da infância (60).

2.4 As dores emergenciais na saúde do homem nas UBS

A dor lombar geralmente está relacionada ao trabalho. Estudos encontrados em vários países indicam que a maioria pertence a classe de motoristas, como táxi, caminhão e outros que permaneçam muito tempo sentados (58).

Cada profissão traz seus próprios prejuízos, associados ao estilo de vida. A carga horária semanal de trabalho, associados ao estresse urbano ou sobrecarga do trabalho rural, limitam movimentos em decorrência a sua rotina diária, seja ela no trabalho, em casa ou em outras atividades (58).

As doenças de Lesões Por Esforços Repetitivos/ Distúrbios Osteomusculares (LER/DORT) são frequentes na população masculina até pelos métodos de trabalhado exercidos por algumas profissões, utilizando o uso excessivo da força, de exercícios repetitivos e contínuos, resultando em diversos danos ao sistema osteomuscular (58).

Essas lesões causam dor, parestesia, sensação de dor e fadiga que afetam um membro ou articulação, sendo predominante nos membros superiores resultando na incapacidade de trabalhar, que chegam a ser permanentes. Diante disso, foram empregados pelo Ministério da Saúde e pela Previdência Social depois de se tornar um grande problema de saúde pública no Brasil em razão da sua abrangência e magnitude (59).

A fisioterapia possui atuação com atividades voltadas à área da atenção primária, secundária e terciária, sendo essas ações voltadas à promoção, prevenção, tratamento e reabilitação em saúde a toda população independente do sexo, idade, raça ou cor (59).

O tratamento além do medicamentoso para alívio da dor, deve ser acompanhado com a equipe multidisciplinar dentro da atenção primária a saúde por meio de atendimento domiciliar no processo de reabilitação dos pacientes que apresentam patologias crônicas ou incapacitantes, como o Acidente Vascular Encefálico (59).

2.5 A saúde do homem na pandemia SARS COV 2

O Brasil é o segundo país com maior número de pessoas contaminadas pelo SARS COV 2 e de óbitos que apontam para uma maioria masculina, sendo de 99 pessoas pesquisadas, 67 eram do sexo masculino (68%) (44).

A crescente morbimortalidade de homens pela Covid 19 tem sido explicada por fatores genéticos, comportamentais e de estilo de vida, sendo ainda mais desfavorável pela baixa procura por serviços de saúde na Atenção Primária (44).

Esses resultados sugerem que homens tornem-se potenciais vetores de infecção, devido ser socializados e estimulados a ocuparem os espaços públicos, sem restrições, pois precisam sair de suas residenciais para trabalhar, são culturalmente induzidos a pensar que são mais fortes a contágio de patologias, de hipervalorização da virilidade e de abjeção masculina dificultando assim práticas para evitar à disseminação da COVID-19, que são o isolamento social, o uso de máscaras e a higienização das mãos (45).

Situações desfavoráveis para a saúde de homens foram observadas em cenários com baixa procura por serviços de saúde na Atenção Primária. No Brasil, observou-se que o número expressivo de óbitos, e complicações graves causadas pela Covid-19 em homens advém muitas vezes de que às masculinidades, comportamento social, estilo de vida, sejam suscetíveis objetos de estudos sobre o enquadramento da pandemia (44).

Vários microrganismos, incluindo certas bactérias e vírus, podem afetar a função reprodutiva masculina. Como resultado da infecção testicular direta, os homens podem ter viabilidade espermática diminuída, contagens reduzidas de espermatozoides e motilidade espermática prejudicada, principalmente pelos efeitos exercidos nos testículos (46).

Os vírus normalmente atingem o testículo por disseminação hematogênica. Em circunstâncias normais, o privilégio imune testicular protege as células germinativas testiculares da resposta inflamatória do hospedeiro a uma infecção sistêmica. No entanto, certos vírus podem atravessar a barreira hematotesticular e até invadir as células testiculares, provocando uma resposta imune dentro do testículo. Uma compreensão básica da fisiologia da infecção viral é essencial para entender o impacto de curto e longo prazo do SARS-CoV-2 na função reprodutiva masculina fornece uma visão mais ampla das infecções virais previamente relatadas do trato reprodutivo masculino Assim como sabemos do impacto da caxumba, vírus da imunodeficiência humana (HIV) e vírus Zika (vírus para os quais temos uma compreensão básica e impacto conhecido na saúde reprodutiva masculina) inicia-se uma discussão sobre o impacto do SARS-CoV-2 no sexo masculino e a reprodução (47).

Os primeiros estudos epidemiológicos da China sugeriram uma suscetibilidade significativa do gênero masculino para a taxa de sintomas graves de COVID-19 e mortalidade, dados semelhantes também foram observados em outros países. Inicialmente, pensava-se que essa suscetibilidade era confundida por pior estado geral de saúde, doenças crônicas e outros fatores de estilo de vida, como tabagismo, porém ainda está em vigor estudos que comprovam outros fatores (48).

O COVID-19 afeta a função sexual e também a atividade sexual. pois na China estudos revelaram diminuição na atividade sexual em 37% dos pesquisados e 44% relataram uma diminuição no número de parceiros sexuais. Em contrapartida alguns países observaram um aumento da atividade sexual, exemplo de Bangladesh, Índia e Nepal (49).

As práticas sexuais durante o COVID-19 podem ser afetadas pelo isolamento social, levando a mudanças de humor e medo de transmissão. Também foi sugerido que a doença cardiovascular por COVID-19 e o tratamento subsequente podem levar à disfunção erétil, e as manifestações neurológicas da doença cerebrovascular ou hemorragia podem afetar o desejo sexual, bem como a função erétil e ejaculatória. Essas e outras questões relacionadas à prática sexual continuam sendo exploradas, incluindo práticas de autoestimulação e uso de pornografia durante a pandemia (47).

2.6 Câncer de Próstata

A próstata é a maior glândula acessória do sistema genital masculino, sendo uma glândula exócrina localizada baixo do colo da bexiga e possui a função de produzir o fluído que protege e nutre os espermatozoides no sêmen, tornando-o mais líquido. A próstata normal mede 3 a 4 cm na base, 4 a 6 cm na sua dimensão céfalo-caudal e 2 a 3 cm na sua dimensão anteroposterior, seu tamanho é semelhante a uma noz, porém em homens idosos pode aumentar o tamanho. A próstata se relaciona com a musculatura elevadora do ânus (69)

 Essa glândula pela sua função e sua localização, está sujeita a inúmeras patologias, dentre elas os tumores, mais conhecido como o câncer (mais frequentemente lesado por neoplasias benignas ou malignas). O câncer de próstata (CAP) ocorre com o crescimento exagerado e multiplicação descontrolada de determinados tecidos epiteliais da próstata, em três maiores componentes celulares: as células basais, luminais e neuroendócrinas (69), conforme visto na Figura 1. A partir dos 50 anos é comum ocorrer hiperplasia prostática benigna (HPB), resultando em uma dificuldade de micção e até incontinência urinária devido a inflamações, aumento e pressão exercida sob o canal uretral (69).

Figura 2.1 – Anatomia da próstata (SANARMED)

O CAP acomete em especial a zona periférica da glândula prostática e sua forma agressiva causa metástase principalmente para medula e linfonodos, podendo levar a morte (70). As causas não são totalmente esclarecidas, porém fatores de risco como a genética prevalecem, aumentando as chances de 3 a 10 vezes da população geral. Quanto à raça negra possuem maior incidência da evolução da doença. Obesidade, hábitos alimentares ocidentais e exposição excessiva a raios ultravioleta, aumentam os riscos de desenvolvimento do câncer de próstata agressivo (70).

No ano de 2001, o Ministério da Saúde lançou o Programa Nacional de Controle do Câncer de próstata através da portaria número 10.289 que estabelece ações voltadas à promoção e proteção à saúde masculina objetivando reduzir a incidência e a mortalidade por câncer de próstata no Brasil (67).

As estimativas do CAP para as regiões do Brasil são de 25.800 novos casos na região Sudeste, seguido das regiões Nordeste com 14.290, Sul com 13.590, Centro-Oeste com 5.050 e Norte com 2.470, e no Distrito Federal com 840 (62). O câncer de próstata raramente provoca sintomas em sua fase inicial, porém conforme a extensão da neoplasia ocorre a dificuldade ao urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, aumento da micção durante o dia e noite, e em alguns casos hematúria (68).

A incidência do câncer de próstata aumenta com a idade, principalmente em homens com mais de 65 anos de idade, resultando em grandes impactos nos sistemas de saúde, com uma crescente tendência a exposição da população a fatores de risco, ao aumento da expectativa de vida, a melhoria e evolução dos métodos diagnósticos e da qualidade dos sistemas de informação (70).

Os principais fatores de risco para CAP são históricos familiares de câncer de próstata, pai, irmão e tio, homens negros, pois sofrem maior incidência deste tipo de câncer e obesidade (63).

Czorny et al. (60) descreveram uma abordagem quantitativa desenvolvido em uma Unidade Básica de Saúde do interior do Estado de São Paulo. A amostra do estudo foi composta por 150 usuários homens que compareceram na unidade para realização de consulta e ou acolhimento de enfermagem. A coleta dos dados ocorreu no mês de novembro/2015, mês em que é realizada a campanha do novembro azul, que visa à promoção da saúde do homem, incentivando-o a realizar exames preventivos de combate ao CAP (62).

O fator história familiar foi relatado por 23,33% dos participantes, sugerindo ser um fator que parece motivar os homens a atuarem preventivamente com realização de exames que, quando realizados de forma antecipada, podem diagnosticar a doença precocemente e aumentar a probabilidade de cura. A maioria dos participantes não pratica atividade física regular, é classificado com sobrepeso e uma menor parte obeso grau I e II, além disso, mais de 50% consomem carne vermelha, leite ou derivados, gordura e bebida alcoólica. A realização do exame de toque retal é baixa quando comparada com a porcentagem de consultas anuais com o urologista, sugerindo que nem sempre na consulta com o especialista tal exame é realizado. A prevenção e promoção à saúde na atenção primária, sendo função privativa desta categoria a consulta de enfermagem, devem realizar orientações, identificando precocemente os agravos, com o objetivo de aconselhá-los sobre os fatores de risco e medidas de prevenção referente ao CAP e outras doenças (62,70).

2.6.1 Diagnóstico do câncer de próstata

O diagnóstico atual do CAP depende do teste do antígeno específico da próstata (PSA), porém não é específico para alguns tumores agressivos, resultando em alguns casos em tratamento excessivo. O valor normal de PSA na corrente sanguínea é de até 4 ng/ml, mas existem relatos de neoplasia maligna prostática com valores menores (71).

Para um acompanhamento mais frequente para avaliar a velocidade de progressão de resultados alterados de PSA é calculada em ng/ml/ano, quando o indivíduo apresentar valores da velocidade de PSA >0,35ng/ml por ano juntamente com valor de PSA entre 2,5 a 4,0 ng/ml. Nestes casos é solicitada a biópsia, da mesma forma que a velocidade de PSA estiver >0,75ng/ml (71).

O rastreio do carcinoma da próstata parece apresentar benefícios na diminuição da mortalidade específica e das complicações associadas à sua progressão; no entanto, associa-se a malefícios como o sobre diagnóstico e sobre tratamento. Ambos conduzem à realização de procedimentos desnecessários que aumentam os gastos em saúde, assim como a morbilidade em indivíduos que nunca viriam a desenvolver sintomas clínicos associados ao carcinoma da próstata (71).

Em um estudo observacional realizado por Ferreira et al. (2018) encontraram muitos fatores interferem na realização do exame preventivo do toque retal e PSA, como: a falta de informação, constrangimento, medo e vergonha. Diante desse fato, os profissionais de saúde devem sempre estar atualizados e preparados para usar meios informativos para desmitificar os procedimentos em questão. Nos resultados, 30% que não fizeram os exames preventivos, alegaram não ser necessário, pois se sentiram envergonhados, ou não terem tempo (72).

Figura 2.2 – Exame do toque retal (Galilei)

Dos 70% que realizaram o exame preventivo, ao questionado quanto ao motivo que levaram a realizar o exame, 47% realizavam regularmente em sua rotina; 16% para checar ou examinar algum problema de saúde/sintoma; 13% apontaram preocupação ao saber do diagnóstico de familiares ou amigos, e 10% afirmam ter feito por orientação médica. Destaca-se que somente 8% realizaram por incentivo das campanhas de saúde (através de mídia televisiva). Sendo assim, notou-se a importância das campanhas de políticas públicas de caráter informativo sobre o câncer de próstata (72).

Embora o exame de toque retal seja um exame simples e de baixo custo, ainda há resistência na maior parcela da população masculina. No exame de toque retal, o médico avalia tamanho, forma e textura da próstata, introduzindo o dedo protegido por uma luva lubrificada no reto. Este exame permite palpar as partes posterior e lateral da próstata (72).

Quando o PSA e o exame de toque estiverem alterados, a biópsia da deverá ser realizada, sendo o único procedimento capaz de confirmar câncer. O tecido retirado mediante anestesia ira classificar as células de acordo com escore de Gleason (72).

2.6.2 Novembro Azul

Segundo a Sociedade Brasileira de urologia, o rastreio do CAP deve ser iniciado a partir dos 50 anos, porém em casos de história familiar ou homens negros, o rastreio deve ser iniciar aos 45 anos (62).

No Brasil desde 2008 o diagnóstico do CAP foi promovido pelo Instituto Lado a Lado Pela Vida (ILLPV), uma organização não governamental. Inicialmente chamada de “Um Toque, Um Drible”, que ganhou o nome “novembro Azul” em 2012 (62). Cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente pela alteração no toque retal e biópsias, que retiram fragmentos da próstata para análise, guiadas pelo ultrassom transretal (63).

O homem e autocuidados sempre foi um assunto peculiar de forma em não se motivar a uma atenção básica com sua própria saúde, surgindo interesse nacional de políticas voltadas para esse gênero. Os motivos de falta de tempo, receio ou machismo, distanciam à prevenção e cuidado (64).

Uma palestra realizada teve como principal foco, uma dinâmica realizada com 21 alunos da referida escola, cuja temática discorreu sobre a percepção deles quanto ao cuidado do homem com a saúde mental como sendo uma das abordagens centrais da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Buscou-se questionar os presentes sobre o conhecimento quanto à perspectiva do que seria o novembro azul. Por meio do diálogo foi apontado que as ações do novembro azul existentes dentro do calendário anual são sempre possíveis de serem realizadas junto a todos os grupos de homens assistidos pela Unidade Básica de Saúde, porém, há ressalvas quanto a reduzida procura do público do gênero masculino ao serviço de saúde, sobretudo dentro de uma perspectiva de saúde mental. O estudo demonstrou que há necessidade de divulgar o novembro azul como uma forma ampla de cuidado à saúde masculina. É necessário eleger novas e eficazes formas de intervenção a fim de uma mudança eficiente dentro de uma perspectiva de cuidado holístico masculino em saúde (64).

Ações como campanhas em dias “D” do novembro azul são importantes para a saúde do público masculino, que possui histórico de não procurar os serviços de saúde devido à dificuldade em reconhecer suas necessidades referentes à saúde. Geralmente a justificativa é pelo fato de os serviços de saúde coincidirem funcionamento com a carga horária do trabalho. Por isso é relevante a realização de campanhas no sábado, no período diurno e em um local de fácil acesso (63).

2.6.3 Novembro azul além do câncer de próstata

A campanha vai além, buscando conscientizar a respeito da necessidade de cuidados especiais com a saúde integral do homem, abrangendo temas como doenças crônicas (por exemplo, a hipertensão), infecções sexualmente transmissíveis, bem como a saúde mental (65).

A campanha é realizada por meio de ações que objetivam promover uma mudança nos hábitos masculinos, mostrando a importância da realização de consultas e de exames de rotina, quebrando alguns preconceitos a respeito da realização de determinados exames e estimulando os homens a manterem uma rotina que promova a saúde e bem-estar. No Brasil, durante o mês de novembro, diversos prédios iluminam-se de azul em menção à campanha (65).

Fazer check-up regular: Fazer um check-up é a melhor forma de prevenir doenças e evitar que sejam tratadas apenas em estágios mais avançados. Em todas as faixas etárias o urologista deve ser consultado (66).

Cuidar da saúde mental: Diversos fatores podem causar um desequilíbrio emocional, como responsabilidades familiares, frustrações financeiras e problemas no trabalho. É preciso entender que a saúde mental é tão importante quanto a saúde física, e que o tratamento é necessário (66).

Um curso de enfermagem da cidade de Macaé no Rio de Janeiro de junho de 2016 a dezembro de 2017 objetivou a investigar o conhecimento de homens sobre o tema câncer de próstata, sua vergonha e inseguranças sobre o procedimento de toque retal (66).

Nos resultados foram observados que os participantes preferem serem acompanhados pelos seus cônjuges em dia de consulta, mesmo no dia a realização do procedimento dos exames. Isto demonstra que o acolhimento gerado em torno do homem e de sua patologia, representado pela presença do cônjuge, e apoio familiar se torna relevante (67).

Homens sentem-se desconfortáveis, envergonhados em realizarem o exame de toque retal, pois pode desencadear sintomatologias fisiológicas induzindo ereção, deixando em uma situação constrangedora e mal interpretado pelo examinador (67).

Rocha e Filho (2020) observaram em seus estudos, que equipes de saúde da família apontam os três principais motivos emergentes que levam os homens à procura de atendimento nas unidades, sendo a presença de doença e dor aguda ou crônica, com busca de medicamentos com ou sem prescrição, e busca de preservativo. É praticamente inexistente exames de rotina ou comparecimento para avaliação da saúde principalmente na prevenção do câncer de próstata (68).

2.7 O enfermeiro na atenção básica de saúde

O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) prevê que a Equipe de Saúde da Família possua o enfermeiro ou auxiliar de enfermagem em sua composição. A enfermagem é relevante para assistência a comunidade vinculado a Unidade Básica de Saúde (UBS), oferecendo consulta de enfermagem, vacinação, curativos, administração de medicamentos, dentre outros (73).

Ainda de acordo com COFEN, o enfermeiro, na Equipe de Saúde da Família, como membro atuante na Atenção Básica, objetiva resolver ou reduzir os problemas mais frequentes e permanentes na população, atuando ativamente nas ações de promoção e prevenção de doenças. Isso aplica saúde do homem, em consequência significativa taxa de morbimortalidade desta população e de sua menor expectativa de vida em comparação as mulheres, o profissional de enfermagem devem atuar com vistas a melhorar a saúde do homem (73).

Sabendo que o enfermeiro é um dos profissionais mais relacionados a comunidade, acolhendo os pacientes, assim como acompanhando em seu tratamento, também está apto a introduzir programas de educação em saúde (73).

Em um estudo qualitativo, realizado por meio de entrevista com 20 profissionais de saúde de unidades de atenção básica de saúde do município de Niterói, localizado no estado do Rio de Janeiro/Brasil, em 2012, foram analisados discursos. O trabalho originou de depoimentos dos sujeitos, unanimidade na fala dos mesmos ao afirmarem que desconhecem a Política de Atenção Integral a Saúde do Homem e as práticas de cuidado específicas que devem ser ofertadas aos mesmos, mas confessam que já ouviram falar sobre ela.

Por não conhecerem a Política de Saúde do Homem, os entrevistados disseram não saber como a Política poderia trazer benefícios para estes sujeitos e de como os profissionais poderiam desenvolver cuidados ou estratégias de saúde que trouxesse melhoria para a qualidade de assistência destes (74).

Todavia, todos ressaltaram a importância da Política e suas possíveis melhorias para o futuro quanto ao estabelecimento do vínculo entre o homem e o serviço de saúde, uma mudança no atual perfil de procura pela assistência à saúde e até mesmo uma possível transformação da visão da sociedade quanto aos cuidados de saúde dos homens brasileiros (74).

E este fato pode significar que as práticas de saúde para o homem não acontecem porque este não vem acessando os serviços de atenção básica. Estes apenas procuram o serviço quando na presença de um sintoma agudo, objetivado por dor, febre, vômito ou agudização de uma doença crônica. Ou seja, quando a doença causa uma sintomatologia ou quando o incapacita de exercer suas atividades laborais diárias. Existe uma preocupação por parte dos profissionais em estabelecer vínculo com esse homem que procura o serviço, porém não existem estratégias específicas de cuidado a estes usuários. Cada profissional apropria-se de uma determinada estratégia para lidar com esse sujeito, a partir de seus saberes experienciais (74).

O diálogo e a comunicação, vem sendo o instrumento mais importante ao prestar ainda há uma dificuldade entre esse vínculo dos homens aos serviços na atenção básica sugerindo a existência de dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde na interação e comunicação efetiva com essa população (75).

Estudos demostram que a não preparação durante a graduação para trabalhar com o público masculino é ressaltada pela enfermagem, que afetam a capacitação e estrutura física e recursos materiais inadequados nas Unidades Básicas de Saúde para realizar atividades em conjunto (75).

É papel de o enfermeiro promover ações que visem proporcionar mais qualidade de vida aos homens educar dispondo de estratégias através do diálogo fornecer orientações e esclarecimentos sobre assuntos pertinentes à saúde do homem. Também cabe a este profissional capacitar e aperfeiçoar os agentes comunitários de saúde para trabalhar com a população.

Os agentes comunitários aplicam ações importantes que contribuem de forma significativa para a desmistificação dos preconceitos realizar busca ativa de pacientes, fornecer orientações e estimular os homens a procurarem a unidade de saúde. O profissional enfermeiro é considerado o mais instruído para realizar a educação em saúde, pelo fato deste dispor uma visão holística do paciente e ainda ser o profissional que se mantém por maior espaço de tempo ao lado do usuário. O enfermeiro é preparado para ser um educador dentro da sua formação acadêmica. Ele deve atuar na educação em saúde desfazendo as incertezas, ampliar o conhecimento da população masculina e estimular o autocuidado (14).

A andrologia constitui-se uma especialidade médica dedicada ao estudo e cuidado da saúde da população masculina. O enfermeiro deve realizar a consulta de enfermagem em andrologia nas Unidades Básicas de Saúde compreende uma série de ações sistemáticas englobando: a) o acesso, acolhimento e recepção do usuário; b) consulta de enfermagem com avaliação holística progressivamente integral da situação de saúde do indivíduo (contendo anamnese e exame físico completo), família e comunidade; definição dos diagnósticos de enfermagem; realização das intervenções; avaliação dos cuidados e anotações de enfermagem; c) encaminhamentos a consultas multiprofissionais ou serviço especializado (14).

Destaca-se ainda que o profissional de enfermagem, tem um papel educativo, gerencial e assistencial, capaz de estimular o diálogo crítico-reflexivo com os demais componentes da equipe de saúde e a aproximação com os usuários.

Porém, para o adequado atendimento são necessários investimentos na capacitação dos profissionais e a gestão da rede de atenção à saúde, além da revisão dos processos de trabalho desenvolvidos pelas equipes de saúde (76).

Uma pesquisa foi realizada em uma Unidade Básica de Saúde da Família em Maracanaú – município do Ceará, a qual possui quatro equipes da ESF, através de fichas de produção ambulatorial diária dos enfermeiros de cada equipe, no ano de 2011. As fichas de produção ambulatorial consistem em formulário padronizado, nos quais os profissionais registram nome, sexo, idade e motivo da procura pelo atendimento do usuário, podendo constar até 15 atendimentos. Integraram essa amostra 6.320 atendimentos em 730 fichas de produção ambulatorial (76).

Entre os 419 usuários atendidos pelas equipes da ESF, durante o ano de 2011, identificou-se o predomínio da faixa etária de 45 a 54 anos, com 163 (38,90%) homens, seguida das faixas etárias de 55 a 59 anos, com 151 (36,03%) homens, e 35 a 44 anos, com 59 (14,08%) homens. A menor procura à UBASF ocorreu por homens entre 25 a 34 anos com 46 (10,97%) Outros estudos demonstram o predomínio de atendimentos aos homens na faixa etária de 45 a 54 anos. Na análise dos motivos de procura pelo serviço, verificou-se o predomínio de atendimentos relacionados às doenças crônicas (76).

Destaca-se a importante atuação da enfermagem na atenção à saúde do portador de hipertensão, conduzindo orientações pertinentes ao uso de medicamentos, dieta, atividade física, interrupção do tabagismo, controle do etilismo, diminuição na ingesta de sal, entre outros, a fim de contribuir positivamente na habilidade de autocuidado do indivíduo e diminuição dos danos decorrentes da evolução da doença. De acordo com os resultados analisados, percebeu-se que os atendimentos de enfermagem à população masculina ainda se distanciam da visão preventiva preconizada pelo PNAISH. Tal fato é prontamente identificado nos quadros que apresentam os cronogramas dos enfermeiros expostos na unidade básica, denunciando que o olhar para a saúde do homem ainda procura espaço na organização do cuidado prestado por esses profissionais na ESF (77).

Dos acadêmicos de enfermagem entrevistados, apenas dois expressaram sentir-se preparados para atuar frente às demandas de saúde do homem na APS, visto ter adquirido alguma experiência durante o período do Estágio Supervisionado. Dos acadêmicos de enfermagem entrevistados, nove não se sentiam preparados para atuar na assistência à saúde do homem (77):

A maioria dos estudantes de enfermagem não se sentem preparados, porém mais da metade dos estudantes pesquisados ainda se sintam inseguros e pouco preparados para prestar assistência à saúde do homem (77).

Existem vários desafios para as abordagens respeito à saúde do homem e sua aceitação da rede de atenção primária da saúde (APS). E esses dados equivalem mundialmente, em 2007, a Academia Americana de Médicos de Família (AAFP) realizou um estudo sobre a saúde dos homens para avaliar a frequência com que os homens frequentavam a APS. Entre os 756 homens, de 18 a 54 anos, 48% a 66% haviam feito exame físico nos últimos 2 anos; entre os 401 homens com 55 anos ou mais, 84% realizaram exame físico nesse período no entanto, 36% dos homens pesquisados visitaram seu médico apenas quando extremamente doentes, e 29% esperaram o máximo possível antes de procurar atendimento médico (78)

 Uma pesquisa com mais de 120.000 entrevistados canadenses concluiu que as mulheres de 18 a 64 anos de idade eram muito mais propensas do que os homens a ter uma consulta de rotina, ou uma consulta especializada. Da mesma forma, um estudo que monitorou a utilização de cuidados de saúde de homens e mulheres durante 1 ano concluiu que os homens apresentavam padrões de utilização mais baixos e custos associados mais baixos (78).

Essas diferenças de sexo ocorreram quando os ajustes foram feitos para os efeitos das condições crônicas e as consultas relacionadas à gravidez e ao parto foram excluídas. Da mesma forma, um estudo usando um banco de dados de atenção primária em todo o Reino Unido relatou que, em geral, os homens eram 30% menos propensos a consultar um médico de atenção primária (78).

Os autores relataram que essa tendência foi mais robusta para homens de meia-idade, e essas diferenças entre os sexos diminuíram entre os adultos mais velhos. As diferenças também foram insignificantes nas comparações de homens e mulheres que já estavam recebendo medicação (78).

Na Malásia a saúde dos homens é relevante, porém negligenciada. Relatórios regionais e nacionais do país sobre a saúde do homem relataram consistentemente que a expectativa média de vida dos homens é menor do que a das mulheres e que eles sofrem maior mortalidade e morbidade em várias doenças. Mais homens na faixa etária produtiva (15-45 anos) morrem em comparação com mulheres na mesma faixa etária (79).

A Malásia é um país em desenvolvimento multiétnico onde os homens vivem 5 anos a menos que as mulheres, os homens têm uma saúde mais precária e uma taxa de mortalidade mais alta em comparação com as mulheres. A doença cardiovascular (DCV) é a causa de morte predominantemente masculina mais comum e pode ser prevenida com intervenções precoces. Os rastreios de saúde e o atendimento da equipe de enfermagem são uma das estratégias eficazes para identificar os indivíduos que necessitam de intervenção. Por exemplo, descobriu-se que um programa de triagem de saúde para DCV é útil na detecção de condições de saúde relacionadas a DCV e pode efetivamente reduzir a taxa de mortalidade por DCV. Da mesma forma, o rastreamento do câncer colorretal, feito por meio de exame de sangue oculto nas fezes, sigmoidoscopia e colonoscopia, demonstrou diminuir a mortalidade por câncer colorretal (79).

Então em um estudo pretendeu revisar o programa nacional de triagem para homens na Malásia desde que foi implementado nas clínicas de saúde pública em 2008. Apesar de reconhecer a importância da triagem em homens, os profissionais de saúde nas clínicas de saúde enfrentaram desafios na implementação do programa de triagem.

Nos resultados foram identificadas dificuldades na execução de ferramentas de triagem, pacientes e fatores do sistema como as principais barreiras para a implementação do programa nacional de triagem de saúde para homens adultos na Malásia. Destaca-se a importância de ter uma ferramenta de triagem mais simples, fácil de usar e baseada em evidências, com uma via de entrega estruturada e eficiente ao implementar um programa de triagem para homens na atenção primária (79).

O sofrimento psicológico que muitos homens com câncer de próstata experimentam nem sempre é avaliado ou bem administrado. Um estudo da Alemanha analisou o ajuste à doença e sugeriu que até 20% dos pacientes podem se beneficiar de apoio à saúde mental após a prostatectomia. Pesquisas também revelam que os cuidados pós-tratamento dos enfermeiros tiveram um impacto positivo significativo nos resultados de saúde (80).

Homens que receberam cuidados de uma enfermeira especialista em câncer relataram uma experiência positiva que lhes permitiu discutir aspectos não médicos de sua doença (80). Isso foi exemplificado pela forma como os enfermeiros comunicaram o diagnóstico e poderiam atuar como defensores do paciente acessando cuidados e apoio adequados. Outro elemento-chave do papel da enfermeira especialista foi em termos de cuidados contínuos e de longo prazo, e o fato de que o contato pode ser iniciado pelo paciente (80).

3 METODOLOGIA

3.1 Tipo de Pesquisa

Esta pesquisa caracteriza-se como quantitativa, descritiva e transversal. A pesquisa quantitativa tem como objetivo mensurar variáveis e analisar fenômenos através de dados numéricos, permitindo uma análise objetiva e estatística das questões abordadas (78). A pesquisa descritiva visa descrever as características de um fenômeno específico, neste caso, a ausência de homens nas unidades básicas de saúde e sua relação com o cuidado preventivo (80). A abordagem transversal refere-se à coleta de dados realizada em um único momento no tempo, sem acompanhamento longitudinal, o que facilita a identificação de características prevalentes (79). A coleta de dados foi realizada por meio de questionários estruturados, aplicados em uma amostra de homens que frequentam a Unidade Básica de Saúde de Imigrantes, em Guabiruba, SC, entre os meses de junho e julho de 2022.

3.2 População e Amostra

A amostra foi composta por 82 homens atendidos na Unidade Básica de Saúde de Imigrantes em Guabiruba, SC, no período de 10 de junho de 2022 a 10 de julho de 2022. A seleção dos participantes seguiu o critério de conveniência, o que significa que foram escolhidos por sua acessibilidade e disponibilidade no local e período do estudo (80). A amostra foi determinada com base no princípio da saturação teórica, sugerindo que a coleta de dados pode ser encerrada quando novas informações deixam de emergir, o que geralmente ocorre após cerca de 10 entrevistas (78).

3.3 Variáveis

Os participantes tinham uma idade média de 30 a 40 anos. As variáveis incluíram a frequência de comparecimento à unidade de saúde, a presença de comorbidades, hábitos de vida, o conhecimento sobre a campanha Novembro Azul e os fatores que dificultam o acesso aos serviços de saúde (79). O foco na análise dessas variáveis permitiu uma compreensão descritiva do comportamento dos homens em relação ao cuidado preventivo e à utilização dos serviços de saúde (81).

3.4 Instrumentos de Medição e Técnicas

A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário estruturado contendo 10 perguntas, conforme descrito no Questionário de Saúde do Homem (ANEXO A). As perguntas abordaram temas como comorbidades, hábitos de vida, frequência de comparecimento às consultas, conhecimento sobre o Novembro Azul, entre outros aspectos relevantes para a saúde masculina. O questionário foi elaborado pelo autor com o intuito de investigar fatores relacionados à resistência dos homens em buscar atendimento médico preventivo (79).

3.5 Procedimentos

Os homens foram abordados na Unidade de Saúde de Imigrantes e questionados sobre sua disposição em responder a um questionário sobre saúde masculina e ausência nas unidades de saúde. Aqueles que aceitaram participar preencheram o questionário de forma objetiva, assinalando com um “X” as opções que correspondiam às suas respostas. Ao final, os questionários foram entregues ao autor da pesquisa, que também é enfermeiro da unidade de saúde (78). A coleta de dados foi realizada respeitando o anonimato e o sigilo dos participantes, em conformidade com os princípios éticos da pesquisa (79).

4 RESULTADOS

Nesta seção, são apresentados os resultados obtidos por meio da aplicação dos questionários aos 82 participantes da pesquisa. Os dados foram agrupados em categorias previamente identificadas e estão sendo apresentados de maneira descritiva, a fim de retratar as respostas fornecidas pelos homens que frequentam a Unidade Básica de Saúde de Imigrantes, em Guabiruba, SC. A seguir, são expostos os dados relativos à frequência de comparecimento à unidade de saúde.

Conforme indicado na Figura 3, a frequência de comparecimento à unidade de saúde foi categorizada em três opções: “1 vez ao ano”, “2 vezes ao ano” e “3 vezes ou mais ao ano”. Os resultados revelam uma distribuição claramente concentrada em determinadas frequências, conforme detalhado abaixo.

Figura 4.1 – Frequência de comparecimento à unidade de saúde pelos participantes

Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).

Observa-se que a maior parte dos respondentes (80%) afirmou comparecer à unidade de saúde 2 vezes ao ano. Um grupo menor, correspondente a 20%, relatou comparecer 3 vezes ou mais ao ano. Nenhum dos participantes indicou comparecimento de apenas 1 vez ao ano. Isso sugere que a maioria dos homens tende a procurar os serviços de saúde com uma certa regularidade, embora um número significativo de participantes frequente a unidade mais de três vezes ao ano.

Os dados representados na Figura 4 apresentam as comorbidades mais frequentes entre os homens que participaram da pesquisa. O levantamento dessas informações foi essencial para identificar as condições de saúde mais comuns nessa população e compreender o estado geral de saúde dos frequentadores da Unidade Básica de Saúde de Imigrantes, em Guabiruba, SC. A análise das comorbidades permite também a identificação de áreas prioritárias para intervenções em saúde pública.

Figura 4.2 – Distribuição das comorbidades entre os participantes

Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).

A análise dos dados revela que 22% dos participantes indicaram problemas de colesterol e triglicerídeos elevados, sendo esta a condição mais comum entre os homens entrevistados. A hipertensão foi relatada por 20% dos respondentes, seguida pela obesidade, que afeta 18% da amostra. Além disso, 15% dos participantes declararam ter diabetes, e 7% relataram problemas renais. Outras condições, como anemia, problemas hepáticos e neurológicos, foram mencionadas com menor frequência, afetando entre 3% e 5% dos homens. Também, viu-se que 8% dos entrevistados mencionaram a presença de outras comorbidades não especificadas.

Os dados representados na Figura 5 tratam da situação vacinal dos participantes, fornecendo um panorama sobre a cobertura vacinal entre os homens entrevistados. Essa informação é relevante para avaliar o nível de proteção dos participantes contra doenças preveníveis e identificar lacunas que possam necessitar de intervenções de saúde pública, especialmente no contexto das campanhas de vacinação realizadas no Brasil.

Figura 4.3 – Situação vacinal dos participantes

Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).

Conforme os dados ilustrados, 56% dos participantes relataram estar com todas as vacinas em dia. Entretanto, uma parcela significativa, 25%, mencionou que está com vacinas importantes, como tétano e febre amarela, em atraso. Outros 10% dos entrevistados indicaram que ainda não tomaram a vacina contra COVID-19, enquanto 5% afirmaram não ter recebido a vacina contra H1N1. Além disso, 5% dos participantes apontaram a falta de outras vacinas, não especificadas. Esses dados evidenciam que, embora a maioria esteja com a vacinação atualizada, uma fração relevante da população ainda possui vacinas em atraso.

O gráfico apresentado na Figura 6 ilustra o nível de conhecimento dos participantes em relação à campanha Novembro Azul, que tem como foco a conscientização sobre a saúde masculina. Essa campanha é amplamente conhecida pela promoção de exames preventivos, com destaque para o câncer de próstata, mas também abrange diversos aspectos da saúde do homem.

A análise dos dados mostra que 72% dos entrevistados restringem o conhecimento da campanha apenas aos exames de próstata. Em contraste, 17% dos participantes demonstram uma compreensão mais abrangente, reconhecendo que a campanha aborda exames laboratoriais e outros cuidados preventivos voltados à saúde masculina. Um total de 11% dos entrevistados admitiu não ter clareza sobre o propósito da campanha. Esses resultados indicam que, embora a maioria esteja ciente de uma parte da campanha, há espaço para aprimorar a disseminação das informações sobre seu escopo completo, ampliando a conscientização sobre o cuidado integral da saúde do homem.

Figura 4.4 – Nível de conhecimento dos participantes sobre a campanha Novembro Azul

Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).

Caminhando na análise, os dados apresentados na Figura 7 demonstram os comportamentos dos participantes em relação à busca por atendimento médico diante de dor frequente ou mal-estar. Essa informação é fundamental para entender os hábitos dos homens no que diz respeito ao autocuidado e à utilização dos serviços de saúde em situações de desconforto físico, além de revelar as possíveis barreiras para o uso contínuo dos serviços de saúde.

Figura 4.5 – Comportamento dos participantes em relação à procura por unidade de saúde diante de dor ou mal-estar

Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).

Conforme os resultados, 70% dos participantes afirmam que só procuram atendimento médico quando sentem dor frequente ou muito forte. Apenas 18% dos homens indicam que buscam assistência médica sempre que necessário, independentemente da gravidade dos sintomas. Em contrapartida, 12% dos entrevistados preferem tratar-se em casa com medicação própria, sem recorrer à unidade de saúde. Esses dados sugerem que a maior parte dos participantes busca atendimento médico em situações de maior gravidade, com uma minoria aderindo ao acompanhamento médico regular ou optando pela automedicação.

Já os dados representados na Figura 8 fornecem um panorama sobre o consumo de álcool e cigarro entre os participantes. O levantamento dessas informações permite avaliar a prevalência de hábitos que impactam diretamente a saúde dos homens, revelando o uso de substâncias que podem agravar comorbidades ou levar ao desenvolvimento de novas condições de saúde ao longo do tempo.

Figura 4.6 – Consumo de álcool e cigarro entre os participantes

Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).

É de se analisar que 64% dos entrevistados indicaram que fazem uso de somente álcool, enquanto 24% relataram o consumo exclusivo de cigarro. Além disso, 12% dos participantes afirmaram utilizar tanto álcool quanto cigarro. Esses dados evidenciam que o consumo de álcool é significativamente mais comum que o uso de cigarro, embora uma parcela notável dos homens faça uso de ambos os produtos, o que representa um risco adicional para a saúde.

Não diferente, os dados apresentados na Figura 9 mostram o tempo de uso de álcool ou cigarro entre os participantes da pesquisa, oferecendo uma visão sobre a duração desses hábitos. A análise desse aspecto é importante para entender o impacto prolongado dessas substâncias na saúde dos indivíduos, visto que o tempo de exposição pode aumentar o risco de desenvolver doenças crônicas.

Figura 4.7 – Tempo de uso de álcool ou cigarro entre os participantes

Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).

De acordo com os resultados, 61% dos participantes relataram que fazem uso de álcool ou cigarro há mais de 3 anos, enquanto 39% afirmaram consumir essas substâncias há menos de 3 anos. Esses dados indicam que a maioria dos homens tem um histórico prolongado de uso, o que pode acarretar maiores complicações de saúde a longo prazo, especialmente se não houver intervenção para reduzir ou cessar o consumo.

Figura 4.8 – Frequência de prática de atividades físicas entre os participantes

Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).

Neste mesmo sentido, os dados representados na Figura 10 fornecem uma visão sobre a prática de atividades físicas entre os participantes da pesquisa. A prática regular de exercícios físicos é fundamental para a promoção da saúde e prevenção de diversas doenças, especialmente no contexto da saúde masculina. Veja-se que 62% dos participantes relataram não praticar atividades físicas de forma regular. Entre os que praticam, 18% o fazem no máximo 3 vezes por semana, 11% praticam 1 vez por semana, e apenas 9% afirmaram realizar exercícios todos os dias. Esses dados mostram que a maioria dos participantes não realiza atividades físicas com regularidade, o que pode contribuir para o desenvolvimento de condições de saúde relacionadas ao sedentarismo.

A Figura 11 apresenta os hábitos alimentares dos participantes da pesquisa, fornecendo uma visão abrangente sobre suas escolhas alimentares. A alimentação desempenha um papel central na prevenção de diversas doenças, e a análise dos padrões alimentares permite identificar áreas que podem necessitar de maior atenção.

Figura 4.9 – Hábitos alimentares dos participantes

Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).

Os dados indicam que metade dos participantes (50%) consome regularmente uma dieta que inclui frituras, pães, bolos e doces, apontando para um elevado consumo de alimentos processados e ricos em calorias. Esse padrão alimentar está diretamente relacionado a riscos maiores de desenvolver doenças crônicas, como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. Em contraste, apenas 24% dos entrevistados relataram que sua alimentação diária é composta por alimentos mais tradicionais, como arroz, feijão e carne, sugerindo uma dieta com menos alimentos ultraprocessados, mas ainda carente em nutrientes essenciais, como fibras e vitaminas.

Além disso, 12% dos homens afirmaram consumir lanches e pizzas, fast food, com frequência, o que reflete um estilo de vida mais moderno, porém menos saudável. Apenas 13% dos participantes declararam seguir uma alimentação balanceada e saudável, com maior presença de saladas e frutas, o que evidencia que uma pequena parcela da amostra está consciente sobre os benefícios de uma alimentação equilibrada. Esses dados ressaltam a necessidade de intervenções nutricionais e campanhas de conscientização que promovam a importância de uma dieta saudável e variada, visando melhorar a saúde geral dessa população, prevenindo doenças e incentivando hábitos alimentares mais adequados.

A Figura 12 apresenta dados sobre a presença de doenças na família dos participantes, o que pode influenciar diretamente o comportamento dos indivíduos em relação à prevenção e ao cuidado com a própria saúde. Conhecer o histórico familiar de doenças permite identificar grupos com maior risco de desenvolver determinadas condições e orientar estratégias de saúde pública.

Figura 4.10 – Presença de doenças hereditárias na família dos participantes

Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).

Os resultados indicam que 55% dos participantes possuem histórico de doenças na família, enquanto 45% não relataram a presença de condições hereditárias. A predominância de participantes com familiares que possuem doenças crônicas sugere que essa população pode estar mais suscetível a desenvolver problemas de saúde ao longo da vida, o que ressalta a importância de programas preventivos e de conscientização.

A Figura 13 apresenta as razões que dificultam o comparecimento dos participantes às unidades de saúde. Identificar esses obstáculos é essencial para desenvolver estratégias que facilitem o acesso aos serviços de saúde e incentivem uma maior adesão ao acompanhamento médico regular. De acordo com os dados, a principal barreira apontada por 93% dos entrevistados é a falta de tempo devido ao trabalho, o que demonstra o impacto das responsabilidades profissionais na ausência de cuidados preventivos. Além disso, 4% mencionaram que só procuram atendimento quando é extremamente necessário.

Figura 4.11 – Dificuldades enfrentadas pelos participantes para comparecimento à unidade de saúde

Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).

Outros motivos, como considerar a visita ao médico desnecessária (1%) ou priorizar a própria saúde (2%), foram citados por uma pequena parte dos participantes. Esses dados sugerem que, para uma parcela muito reduzida, a falta de percepção sobre a importância das consultas médicas ou a crença de que estão suficientemente saudáveis os mantém longe dos serviços de saúde. No entanto, o destaque maior está na questão do tempo, com 93% dos entrevistados apontando o horário de trabalho como o principal obstáculo para comparecer às unidades de saúde.

Esses resultados evidenciam que o fator tempo, particularmente entre os trabalhadores que possuem uma rotina intensa, é o maior impeditivo para o acesso à saúde. A dificuldade em conciliar as obrigações profissionais com a necessidade de consultas médicas impede que esses homens busquem atendimento preventivo. Isso sugere uma necessidade urgente de adaptações nos horários de atendimento das unidades de saúde, como a oferta de consultas fora do horário comercial ou a criação de estratégias que possibilitem maior flexibilidade no agendamento de consultas. Além disso, campanhas que promovam a importância de manter a saúde em dia, mesmo diante de agendas apertadas, podem contribuir para mudar esse cenário.

Conforme apresentado no Tabela 1, encontram-se resumidos os principais achados da pesquisa, os quais traçam o perfil dos homens que frequentam a Unidade Básica de Saúde de Imigrantes, em Guabiruba, SC. O Tabela sintetiza informações sobre hábitos relacionados à saúde, como prática de atividade física, alimentação, consumo de álcool e cigarro, frequência de comparecimento ao posto de saúde e conhecimento sobre a campanha Novembro Azul. Além disso, destaca as principais resistências observadas, como a relutância em buscar atendimento preventivo e a barreira imposta pelo horário de trabalho.

Tabela 4.1 – Resultados consolidados

VariáveisPercentual (%) ou Observação
Prática de atividade física62% dos homens não praticam atividade física regularmente.
Alimentação50% dos homens consomem alimentos ricos em frituras, pães, bolos e doces regularmente.
Uso de álcool64% fazem uso de álcool.
Uso de cigarro24% dos homens se consideram fumantes.
Frequência nos postos de saúde (2 vezes ao ano)80% dos homens dizem comparecer à unidade de saúde pelo menos 2 vezes ao ano.
Frequência nos postos de saúde (3 vezes ao ano)20% dos homens comparecem ao posto de saúde 3 vezes ou mais ao ano.
Comparecimento ao posto de saúde somente com dor forte70% só buscam atendimento médico quando sentem dor frequente ou muito forte.
Motivo do não comparecimento93% dos homens apontam o horário de trabalho como o maior impedimento para ir ao posto de saúde.
Acompanhamento médico necessário devido a patologiasApenas 3 homens relatam a necessidade de acompanhamento médico contínuo devido a doenças graves (urológicas, renais etc.).
Doenças na família55% têm histórico de doenças na família, como câncer e diabetes.
Vacinas vencidas25% dos homens estão com vacinas vencidas, como tétano e febre amarela.
Conhecimento sobre a campanha Novembro Azul72% acreditam que a campanha trata exclusivamente dos exames de próstata.
Fonte: Dados originais da pesquisa (2022).


A análise dos dados também revela que a maioria dos homens entrevistados só procura os serviços de saúde de forma esporádica e com foco em situações mais críticas. 80% dos homens afirmaram comparecer ao posto de saúde pelo menos duas vezes ao ano, enquanto 20% indicaram que visitam a unidade três ou mais vezes no mesmo período. Esses números sugerem que, embora a frequência de visitas não seja tão baixa, a busca por cuidados preventivos ainda não é uma prática consolidada entre essa população, visto que 70% deles só procuram atendimento em situações de dor intensa ou frequente.

Outro dado relevante é que 25% dos homens estão com vacinas vencidas, especialmente aquelas voltadas para a prevenção de doenças como tétano e febre amarela. Este índice evidencia uma baixa adesão à vacinação, o que pode ser um reflexo da falta de conscientização sobre a importância da imunização e das campanhas preventivas. A negligência em manter o calendário vacinal em dia reflete o desinteresse por práticas de saúde preventiva, o que pode comprometer o bem-estar geral desses indivíduos a longo prazo.

A análise também aponta que 55% dos homens relataram histórico familiar de doenças como câncer e diabetes, fatores que aumentam o risco de desenvolvimento dessas condições ao longo da vida. Embora o histórico familiar seja um fator de risco significativo, a ausência de práticas preventivas e o conhecimento limitado sobre a importância de monitoramento regular podem agravar o prognóstico dessas doenças. Isso sugere que a educação em saúde precisa ser fortalecida para que os homens com maior predisposição genética compreendam a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso.

Por fim, o Tabela sobre a campanha Novembro Azul revela que 72% dos homens acreditam que ela se restringe exclusivamente aos exames de próstata, evidenciando uma falta de entendimento sobre a abrangência da campanha, que visa promover uma conscientização mais ampla sobre a saúde masculina. Esse dado reflete a necessidade de aprimorar as estratégias de comunicação das campanhas de saúde pública, de modo a garantir que os homens entendam a importância do cuidado preventivo em várias áreas de sua saúde, além do câncer de próstata.

5 DISCUSSÃO

A saúde do homem é um tema de crescente interesse e preocupação no campo da saúde pública, especialmente devido à constatação de que os homens, em geral, têm uma menor expectativa de vida em comparação com as mulheres e apresentam uma maior incidência de doenças crônicas e condições graves de saúde. Segundo diversos estudos, como os de Pereira et al. (3) e Martins e Modena (10), os homens tendem a procurar menos os serviços de saúde, frequentemente ignorando sintomas iniciais e adiando a busca por atendimento médico até que a situação se torne crítica.

Essa resistência ao cuidado preventivo e ao autocuidado é frequentemente atribuída a fatores socioculturais, como o estigma associado à vulnerabilidade e o papel tradicional do homem como provedor forte e invulnerável. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) foi criada justamente para enfrentar esses desafios, promovendo o acesso e o acolhimento dos homens nos serviços de saúde, além de fomentar a conscientização sobre a importância da prevenção e do autocuidado.

No entanto, o que os próprios homens entendem por saúde ainda está fortemente ligado à noção de ausência de doença ou ao bem-estar físico imediato, como apontado por estudos como os de Santiago et al. (12) e Vasconcelos et al. (6). Muitos homens associam a busca por serviços de saúde a emergências ou dor intensa, o que evidencia uma visão limitada e reativa da saúde. Poucos percebem a importância de um acompanhamento regular e preventivo, e muitos ainda enxergam práticas como exames de rotina e visitas regulares ao médico com desconfiança ou como uma quebra de seu papel tradicional. Este entendimento restrito da saúde pelos próprios homens reflete a necessidade de maior educação e sensibilização para que eles reconheçam a importância do cuidado contínuo e preventivo, não apenas para evitar doenças, mas também para melhorar sua qualidade de vida de maneira geral.

A pesquisa indicou que 62% dos homens entrevistados não praticam atividade física regularmente, o que está em consonância com os achados de Alpízar et al. (28) e Carvalho et al. (29), que associam o sedentarismo a um risco aumentado de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. 50% dos homens relataram consumir regularmente alimentos ricos em frituras, pães, bolos e doces, enquanto 12% afirmaram consumir lanches e fast food com frequência. Esses padrões alimentares são comumente observados em diversas populações, conforme apontado por Santiago et al. (12).

Este tipo de dieta, rica em gorduras saturadas e carboidratos refinados, está fortemente associado ao ganho de peso e ao aumento do risco de obesidade, que por sua vez, eleva a probabilidade de desenvolvimento de doenças metabólicas, como a diabetes mellitus e a hipertensão, conforme demonstrado por Geremias et al. (32).

A convergência entre os resultados desta pesquisa e os estudos existentes ressalta a necessidade urgente de intervenções nutricionais que promovam hábitos alimentares mais saudáveis. Como visto, o estudo revelou que 64% dos homens entrevistados consomem bebidas alcoólicas regularmente. Este resultado é consistente com os achados de Santiago et al. (2015) (12), que também identificaram um alto consumo de álcool entre homens. O uso excessivo de álcool é um fator de risco conhecido para várias condições de saúde, incluindo doenças hepáticas, cardiovasculares e transtornos mentais, conforme discutido por Bilsker et al. (2018) (54). A semelhança entre os resultados sugere uma necessidade de políticas públicas que abordem o consumo de álcool entre os homens, incentivando comportamentos mais saudáveis.

Cerca de 24% dos homens entrevistados se consideram fumantes, um dado que reflete as tendências observadas por Carvalho et al. (2016) (29), onde o tabagismo é apontado como um dos principais fatores de risco para doenças respiratórias, cardiovasculares e câncer. Embora o percentual encontrado nesta pesquisa seja semelhante ao de alguns estudos, a convergência com a literatura aponta para a importância de campanhas de cessação do tabagismo, especialmente voltadas para a população masculina, que frequentemente apresenta resistência em adotar comportamentos mais saudáveis.

O estudo mostrou que 80% dos homens afirmam comparecer aos postos de saúde pelo menos duas vezes ao ano, o que está de acordo com os achados de Oliveira et al. (2015) (7), que observam que os homens tendem a procurar atendimento médico com menor frequência do que as mulheres, muitas vezes apenas em situações mais graves. Esse comportamento é atribuído a questões culturais e à percepção de invulnerabilidade, conforme discutido por Casadei e Kudeken (2020) (22). A consonância entre os resultados indica que há uma necessidade contínua de melhorar o acesso e a adesão dos homens aos serviços de saúde.

Apenas 20% dos homens relataram frequentar os postos de saúde três vezes ao ano, o que confirma a baixa adesão dos homens aos serviços de saúde primária observada por Martins e Modena (2015) (10). Essa baixa frequência está relacionada à resistência dos homens em buscar cuidados preventivos, refletindo uma tendência de buscar atendimento somente quando os sintomas se tornam graves. A semelhança com os dados da literatura sugere que os esforços para aumentar a frequência das visitas de homens aos postos de saúde devem ser intensificados, especialmente em relação à prevenção de doenças.

O estudo revelou que 70% dos homens entrevistados só comparecem aos postos de saúde quando estão com dor muito forte. Esse comportamento é consistente com os achados de Pereira et al. (2015) (3), que destacam que os homens muitas vezes negligenciam cuidados preventivos e procuram atendimento médico apenas em emergências. Essa atitude contribui para o diagnóstico tardio de doenças e a necessidade de tratamentos mais complexos e onerosos. A convergência entre os resultados aponta para a importância de estratégias que incentivem a busca por cuidados preventivos entre a população masculina.

É possível identificar que 93% dos homens apontam o horário de trabalho como o maior impedimento para não frequentar os postos de saúde, o que está em consonância com os achados de Oliveira et al. (2015) (7) e Paula et al. (2021) (18). Esses autores discutem que os horários de funcionamento dos serviços de saúde muitas vezes coincidem com a jornada de trabalho, o que dificulta o acesso dos homens aos cuidados médicos. A concordância com a literatura sugere que flexibilizar os horários de atendimento e promover serviços de saúde fora do horário comercial podem ser soluções eficazes para aumentar o acesso dos homens à saúde.

Apenas 2% dos homens relataram a necessidade de acompanhamento médico devido a patologias como problemas urológicos, renais, câncer de pele e de próstata. Este dado reflete os achados de Vasconcelos et al. (2019) (6), que observam que a maioria dos homens só procura acompanhamento médico quando há uma doença estabelecida. A resistência em buscar cuidados preventivos e a falta de continuidade no acompanhamento médico são fatores que agravam o prognóstico dessas doenças. A convergência entre os dados sugere a necessidade de campanhas que incentivem o acompanhamento médico regular, mesmo na ausência de sintomas.

Cerca de 55% dos homens relataram ter histórico de doenças como câncer na família. Este achado está alinhado com a literatura, que aponta a importância do histórico familiar como um fator de risco significativo para o desenvolvimento de doenças crônicas, incluindo o câncer de próstata (2017) (60). O reconhecimento deste risco poderia servir como um motivador para a adoção de práticas preventivas, mas a literatura mostra que, na prática, o impacto deste conhecimento muitas vezes é limitado pela falta de conscientização e educação em saúde. A semelhança com os dados da literatura sugere que intervenções educacionais que destacam a importância do histórico familiar na saúde podem melhorar a adesão dos homens a cuidados preventivos.

O estudo revelou que 25% dos homens entrevistados estavam com vacinas vencidas, incluindo tétano e febre amarela, o que evidencia uma baixa adesão à vacinação, também observada por Arruda et al. (2017) (35). A falta de atualização vacinal pode ser atribuída à negligência em relação à saúde preventiva e à falta de campanhas de vacinação direcionadas especificamente para os homens. A convergência com a literatura aponta para a necessidade de políticas de saúde que reforcem a importância da vacinação contínua e ofereçam maior acessibilidade e conscientização sobre a importância da imunização.

Finalmente, 72% dos homens entrevistados não sabiam o propósito da campanha Novembro Azul além dos exames de próstata. Este dado é consistente com os achados de Alves (2020) (73) e Azevedo (2017) (62), que demonstraram que o conhecimento sobre a campanha é geralmente limitado e que muitos homens não estão cientes de sua abrangência e importância para a saúde masculina. A falta de conhecimento sobre a campanha reflete uma falha na comunicação e na educação em saúde que precisa ser abordada para garantir que os homens compreendam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata e outras condições.

A consonância com a literatura sugere a necessidade de estratégias mais eficazes de comunicação e educação para aumentar a conscientização e a participação dos homens nessas campanhas. Entre as barreiras mais significativas está o horário de trabalho, apontado por 93% dos homens entrevistados como o principal impedimento para frequentar as unidades de saúde. Este dado ressalta a necessidade de adequar os horários de atendimento e flexibilizar o acesso, conforme discutido por Oliveira et al. (2015) (7) e Paula et al. (2021) (18).

Além disso, 70% dos homens relataram que só procuram atendimento médico quando estão com dor muito forte, o que reforça a visão reativa sobre saúde, conforme destacado por Pereira et al. (2015) (3). Essa resistência ao cuidado preventivo é agravada pela falta de uma abordagem específica para o público masculino nas unidades de saúde, algo que também foi apontado pela literatura (Martins e Modena, 2015) (10); Sousa et al. (2021) (5).

Outro fator importante é o desconhecimento sobre a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH). Embora essa política tenha sido criada para orientar as ações voltadas à saúde masculina, 72% dos homens entrevistados desconhecem o propósito mais amplo da campanha Novembro Azul, acreditando que ela se limita apenas aos exames de próstata. Isso reflete uma falta de comunicação eficaz e a necessidade de maior educação em saúde para que os homens compreendam a importância da prevenção, como também destacam Donizete et al. (2017) (72) e Vaz et al. (2018) (1).

No que diz respeito ao acompanhamento médico contínuo, a pesquisa revelou que apenas 2% dos homens relataram a necessidade de acompanhamento regular devido a doenças graves, como problemas urológicos, renais ou câncer de pele. Este dado reforça a tendência dos homens em buscar atendimento apenas quando as condições já estão avançadas, conforme também observado por Vasconcelos et al. (2019) (6).

Em suma, a análise dos dados evidencia que as principais resistências dos homens ao cuidado preventivo estão associadas à falta de tempo, visão limitada da saúde e desconhecimento sobre políticas públicas voltadas para a saúde masculina. A melhoria da formação dos profissionais de saúde, com foco nas particularidades do público masculino, e a implementação de estratégias que flexibilizem o acesso às unidades de saúde são essenciais para transformar o cenário atual. Reforçar a educação em saúde e promover campanhas mais abrangentes, como a Novembro Azul, são medidas fundamentais para aumentar a conscientização e a adesão dos homens aos cuidados preventivos, resultando em melhores desfechos para essa população.

6 CONCLUSÃO

O presente estudo cumpriu com êxito os objetivos estabelecidos, que visavam identificar as causas da resistência dos homens ao cuidado com a própria saúde, bem como analisar o perfil dos homens que buscam atendimento na atenção básica de saúde na comunidade de Imigrantes, e o perfil dos profissionais de enfermagem envolvidos nesse cuidado. Foi evidenciado que a resistência dos homens está profundamente enraizada em fatores culturais, onde a masculinidade é associada a uma suposta invulnerabilidade e resistência ao sofrimento, resultando em uma relutância em procurar cuidados preventivos. Adicionalmente, questões práticas, como a incompatibilidade entre os horários de trabalho e o funcionamento dos serviços de saúde, bem como o desconhecimento sobre a importância da prevenção, foram identificadas como barreiras significativas.

A análise do perfil dos profissionais de enfermagem revelou uma necessidade urgente de capacitação específica para lidar com as particularidades da saúde masculina. A falta de conhecimento sobre a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) e a ausência de estratégias direcionadas de acolhimento foram apontadas como limitações que comprometem a eficácia do atendimento. Estes fatores destacam a importância de investir em programas de educação continuada e em ações que aproximem os homens dos serviços de saúde, promovendo um ambiente mais acolhedor e acessível.

Além disso, o estudo destacou a relevância de campanhas como o Novembro Azul, que, apesar de serem reconhecidas, ainda não atingiram plenamente sua eficácia na promoção de uma mudança de comportamento significativa entre os homens. No contexto da unidade básica de saúde investigada, foi identificado que esforços adicionais são necessários para melhorar o acesso à informação e romper com preconceitos enraizados, incentivando a realização de exames preventivos e o uso regular dos serviços de saúde.

Em conclusão, para que se alcance uma melhoria substancial na saúde do homem, é crucial que a PNAISH seja implementada de maneira mais efetiva e que as unidades de saúde adotem estratégias específicas que considerem as particularidades do público masculino. Isso inclui não apenas a capacitação dos profissionais de saúde, mas também a adaptação das campanhas informativas e a reorganização dos serviços para facilitar o acesso e o acolhimento dos homens. Somente com uma abordagem integral e contextualizada será possível reduzir a resistência dos homens ao cuidado com a saúde e promover uma melhoria significativa na qualidade de vida dessa população.

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¹Aluno do Curso de Mestrado em Saúde Pública pela Universidad Europea del Atlántico.
²Docente do Curso de Mestrado em Saúde Pública pela Universidad Europea del Atlántico.